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Muitas mulheres casam mas não ganham um marido, ganham um filho. O casamento pra elas é uma rotina de tantas obrigações para com seus cônjuges que talvez fosse até mais fácil cuidar de uma criança. É como se os homens fossem criaturas abobadas que não conseguem passar a própria roupa, fazer o próprio prato ou até mesmo arrumar uma cama. Quando vejo uma situação dessas, sempre me pergunto se não seria melhor estar solteira.

O casamento é uma aliança de amor e companheirismo e ter um companheiro significa ter uma pessoa para dividir a vida, compartilhar os bons e maus momentos, caminhar junto. Companheiros se apoiam mutuamente, se ajudam e se fortalecem, mas para estabelecer uma relação de companheirismo como a do casamento, é necessário que ambos sejam adultos. Se um dos cônjuges se comporta como criança, é claro que não vai ter equilíbrio nessa relação – alguém vai ter que assumir o papel de babá e esse alguém geralmente é a mulher.

Acontece que para a mulher adulta dos tempos atuais essa relação não é nada vantajosa. Por que ela vai querer casar pra ter muito mais trabalho se sozinha a vida dela é bem mais fácil? Para quê agregar mais obrigações à sua vida, que já costuma ser tão atarefada? Não estou dizendo que casamento não vale a pena, estou dizendo que aquele modelo de casamento que valia para as nossas avós não nos agrada mais. Os tempos mudaram – ainda bem!

Já falei aqui sobre o preço que as mulheres de algumas gerações atrás pagavam para ter um casamento longevo. Mas hoje em dia cada vez menos mulheres estão dispostas a pagar esse preço, por entenderem que a sua felicidade real vale muito mais do que uma vida de aparência. Claro, sempre têm as exceções, mas elas estão ficando cada vez mais raras.

O que eu tenho visto com frequência entre as pessoas da minha geração e das gerações mais novas é que homens que desejam mulheres-babás têm ficado sozinhos. É uma espécie de “seleção natural”, já que as mulheres de hoje têm mais acesso a informação, lutam por seus direitos e sabem muito mais do seu valor do que há 50 anos. A geração do empoderamento não aceita mais ser subjugada e nem aceita mais um modelo patriarcal de casamento que só serve pra proteger e exaltar o homem.

Aos saudosistas de plantão que vivem lamentando não se fazer mais casamentos como antigamente, nós só temos a dizer graças a Deus por isso! Graças a Deus porque temos nos libertado de um sistema que nos adoecia física, mental e moralmente, que nos fazia acreditar que as nossas vidas existiam em função da vida dos homens. Quantas mulheres morreram e até hoje morrem frustradas por terem se anulado numa relação abusiva, só pra dar uma satisfação social? Não foi isso que Deus estabeleceu e é bom saber que nós já estamos começando a ter ciência disso. As mulheres de hoje não querem apenas um dia de princesa no altar, um ritual bonito pra sociedade. Querem uma vida conjugal verdadeira, de amor, respeito e companheirismo com homens de verdade, não com crianças mimadas que se acham autoridade sobre elas.

Finalizo, então, com duas dicas. A primeira é: não aceite ser tratada como serviçal do seu companheiro. Sua vida tem tanto valor quanto a dele e uma relação saudável é uma troca, não um contrato unilateral. Gestos de carinho, gentilezas e mimos são bem vindos, mas quando você passa a ter obrigação de gerir as demandas dele, deixando as suas em segundo plano, alguma coisa está errada. Se você precisa se anular no seu casamento para que as coisas andem “bem”, essa não é uma relação de amor, e sim de exploração. “O amor não é egoísta” (I Co 13:5).

A segunda dica é: crie seus filhos homens para serem independentes. Ensine-os a se virarem sozinhos e mostre que, enquanto moradores de uma casa, também têm obrigação de mantê-la limpa e arrumada. Não os faça acreditar que sempre terão uma mulher para serví-los, pois isso irá prejudicá-los nos seus relacionamentos. Ajude-os a se tornarem homens de verdade. “Quando eu era menino, falava, sentia e pensava como menino. Mas quando me tornei homem, deixei pra trás as coisas de menino.” (I Co 13:11).

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