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Virgindade e sexo antes do casamento – O sexo na Bíblia

A igreja costuma utilizar a Bíblia para defender a virgindade até o casamento, mas não existe uma passagem que fale explicitamente sobre isso. O que temos no livro sagrado são histórias que revelam que esse era o costume da época e que as mulheres que não obedeciam eram consideradas impuras, pecadoras e até mesmo prostitutas.

A Bíblia, no entanto, dá vários indícios de que esse costume não era tão rígido para os homens, pois histórias como a da mulher pega em adultério em Jo 8:1-11, da concubina estuprada em Jz 19 e do estupro de Tamar pelo próprio irmão em 2 Sm 13 mostram que, desde aquela época, o machismo já relativizava a moral para os homens, a quem era permitido muito mais do que às mulheres (nada muito diferente do que temos hoje).

Outro fato relevante é que, no período em que a Bíblia foi escrita, não existia namoro. Os casamentos eram arranjados e, tão logo a moça chegasse na “idade de casar” (geralmente ainda na adolescência), o comum era que ela, de fato, se casasse com alguém escolhido pela família. Logo, em tese, os casais não enfrentavam as tentações do sexo pré-matrimonial, pois casavam assim que se conheciam ou num curto período de tempo. É importante saber dessas coisas porque muitos insistem em dizer que a Bíblia condena o sexo durante o namoro, mas a verdade é que esse é um problema extremamente atual, que não existia quando ela foi escrita. Desta forma, não há como fazer tal afirmação.

Numa outra perspectiva, o livro de Cântico dos Cânticos traz uma verdadeira exaltação ao sexo, narrando em detalhes o romance e os momentos de amor atribuídos ao rei Salomão e à sulamita. A igreja costuma se referir a este livro como um exemplo de experimentação sexual saudável dentro do casamento, apesar de não haver passagens que explicitem que os personagens são casados (vale lembrar que Salomão teve setecentas esposas e trezentas concubinas, conforme 1 Rs 11, e que concubina era o equivalente à amante de hoje). Na minha opinião, Cântico dos Cânticos nada mais é do que uma prova de que Deus valoriza o sexo e não o enxerga como algo pecaminoso, pois foi uma criação Sua. O conteúdo deste livro vai de encontro ao que pregam muitas lideranças cristãs que, ao disseminar culpas e neuroses, tentam associar o sexo a algo sujo e errado.

Portanto, o que Bíblia traz são narrativas que retratam os costumes da época, dentro de um determinado contexto, além da visão positiva sobre o sexo trazida pelo Cântico dos Cânticos. Não há mandamentos, não há ordenanças nem tampouco proibições explícitas. Mas essa discussão não acaba aqui, ainda há aspectos relevantes a serem tratados. Por isso, acompanhe a nossa série até o final.

 

 

 

(ATENÇÃO: Esse texto é apenas uma parte da série Virgindade e sexo antes do casamento e não deve ser lido isoladamente. Para uma compreensão completa, é necessário ler introduçãoparte 2, parte 3 e parte 4.)

4 Comentários

  1. Muito bom esse post, vai ajudar diversas mulheres e também homens, assim como acabou de me ajudar com a minha dúvida. Sexo é vida, vamos expor nossas dúvidas, chega de Tabus!

  2. Oi, eu sou Goku! disse:

    Texto muito bom, Isabella! Parabéns pela coragem de tratar a respeito de um tema tão delicado em nossas igrejas.

  3. Oi, eu sou Goku! disse:

    Caio Fábio costuma dizer que o sexo é pecado quando é pecaminoso e não é pecado quando é pecaminoso… E penso que seja bem por aí.
    Ora, se um casal de namorados se amam, desejam apenas um ao outro, querem construir uma vida juntos pautados no Amor e no respeito, por que, nesse contexto, fazer sexo antes do casamento (que é uma questão de tempo) seria pecaminoso? Por outro lado, há casais que estão juntos há anos, com direito a casamento na igreja, mas o relacionamento deles não é pautado no amor e no respeito. Pra piorar, a igreja muitas vezes aconselha não desistir daquele conjugue que te faz mal…

    E eu pergunto: qual desses dois exemplos está mais próximo do Amor descrito no Evangelho? O casal de namorados que se amam e estão completamente envolvidos um com o outro, ou o casal de cônjuges que firmaram compromisso diante à Igreja, mas não se amam e não se respeitam?

    Creio que a intenção do nosso coração diz muito sobre algo ser ou não ser pecaminoso. Eu entendo que promiscuidade é pecado, mas entendo também que isso não tem necessariamente a ver com o fato de ser solteiro ou casado. Entendo que a promiscuidade tem a ver com o fato de estarmos usando o outro apenas pra satisfazer nossa carne (ou por mera convenção social no caso dos casados), sem que tenhamos comprometimento emocional e espiritual com o nosso parceiro.

  4. Lizandra Gonçalves disse:

    Acompanhando… ❤

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