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Virgindade e sexo antes do casamento: o que fazer, afinal?

Se você leu essa série até aqui esperando encontrar uma permissão para ter uma vida sexual livre antes do casamento, vai se decepcionar, mas tampouco vai encontrar uma proibição.

Acredito que a Bíblia é muito clara ao condenar o sexo casual e a promiscuidade e, na minha opinião, se somos seguidores de Cristo, temos que levar isso em consideração, sim. Nosso corpo é templo e instrumento de adoração e nada que atente contra ele ou que venha a objetificá-lo é recomendável. Sexo sem compromisso nada mais é do que a busca do prazer pelo prazer, uma atitude hedonista que só demonstra o quanto adoramos a nós mesmos. Mas se servimos a Deus, somente Ele deve ser alvo da nossa adoração.

Quanto ao sexo durante o namoro, é uma questão muito complexa que não tem resposta definitiva, visto que a Bíblia não trata desse assunto. Sabemos que os impulsos sexuais existem e que, à medida que o relacionamento vai se tornando mais sério, tendemos a confiar mais no nosso(a) parceiro(a), o que só faz aumentar a tentação. Acho que um casal que vive uma relação de compromisso, amor e respeito mútuo não comete pecado ao se relacionar sexualmente antes de casar, mas essa é uma opinião minha. E vale lembrar que compromisso sério não se dá aos 15 anos de idade, nem tampouco quando não há perspectivas reais de casamento real (que envolve maturidade para formar uma família, independência emocional dos pais e independência financeira).

Mas acho também que essa é uma questão muito pessoal, que varia de acordo com o relacionamento que cada um tem com Deus. Eu e meu marido vivemos a experiência de esperar até o casamento, o que não foi nada fácil, teve algumas desvantagens, mas no final das contas acredito ter sido bastante positivo para nós – principalmente porque tivemos tempo para amadurecer bastante a nossa relação de amizade e confiança. Conheço pessoas próximas que não suportaram a espera, mas que também vivem casamentos abençoados e sólidos. E, claro, tem também o oposto: casais que esperaram o casamento, mas não se mantiveram casados (porque sexo por si só não sustenta uma relação) e casais que não esperaram e também não deram certo depois de casar. Cada caso é um caso, cada história é uma história, e o importante é saber que, qualquer que seja a sua escolha, tem vantagens e desvantagens. Cabe a você analisá-las e fazer uma escolha consciente.

Se valer alguma coisa, deixo aqui alguns conselhos:

Não inicie um relacionamento com sexo, para que ele possa se estabelecer em outras bases mais sólidas (amor, cumplicidade, diálogo, confiança, amizade…). Pode parecer algo bobo, mas faz muita diferença numa relação a longo prazo e só quem experimentou pode testemunhar;

Não confie na paixão. Muitas vezes achamos que encontramos o amor da nossa vida, mas infelizmente nós, mulheres, ainda temos uma tendência a romantizar demais o relacionamento e não enxergar coisas óbvias, que às vezes quem está de fora enxerga facilmente. Nem sempre o príncipe é mesmo um príncipe, nem sempre quem diz “eu te amo” te ama de verdade, nem sempre quem diz que quer viver ao seu lado para o resto da vida está sendo realmente sincero. A gente sabe que existem muitos homens mal intencionados, até mesmo na igreja, que só querem brincar com as mulheres. Mas nada como o tempo para revelar essas intenções, por isso, não se precipite para não sofrer depois. Para os cristãos de verdade, o sexo tem um significado muito mais profundo do que para aqueles que não são, mas para as mulheres isso ainda é acentuado pela forma romantizada como somos educadas para os relacionamentos. Logo, saber que houve entrega total para quem não merecia pode ser uma frustração difícil de superar, que pode até reverberar futuramente no seu casamento. É sempre bom tentar ser racional.

Seja honesta consigo mesma: se o namoro terminar, você vai se arrepender de ter se envolvido sexualmente com o seu namorado? E se não terminar, você vai sentir culpa por não ter esperado? Pelas atitudes dele, você consegue perceber se ele é machista e se vai te considerar uma mulher sem valor por ter se entregado antes do casamento? Se a resposta for sim a uma dessas perguntas, é um sinal de alerta. Talvez não seja a hora.

Não faça sexo se não estiver preparada para enfrentar os cuidados e os riscos de uma vida sexualmente ativa. Lidar com métodos anticoncepcionais não é algo tão simples porque nem toda mulher reage bem aos mais comuns. Acompanhamento médico é sempre necessário, há riscos de ISTs (você nunca sabe se seu parceiro é realmente fiel) e uma gravidez indesejada pode acontecer, mesmo com todos os cuidados, pois nenhum método é 100% seguro. Você tem maturidade e condições de lidar com todo esse contexto? E o seu namorado?

– Se você ainda é uma adolescente, espere. Por mais que seja amadurecida para a sua idade, algumas experiências e entendimentos só vêm com o tempo e você ainda tem pouco repertório para tomar essa decisão de forma consciente.

– Não case só por causa do sexo. Essa é a pior decisão que um casal pode tomar. No dia a dia do casamento, quando os problemas cotidianos começam a aparecer, a rotina, o relacionamento com as respectivas famílias e uma série de coisas que envolvem o casal, você vai ver o quanto o sexo é pouco para ajudar a lidar com tudo isso. E se os filhos vierem logo, as coisas só pioram. Sem maturidade, diálogo, amizade, respeito e principalmente sem amor não existe casamento. Sexo não é tudo e se você fizer essa aposta, certamente vai sofrer muito e se arrepender.

Essa série foi uma tentativa de promover uma discussão mais realista sobre um assunto que tanto assusta os jovens e preocupa a igreja. Não tenho a pretensão, de forma alguma, de dar a palavra final e sei que há várias formas corretas de enxergar esse assunto. Acho que está mais do que na hora de possibilitarmos que os jovens decidam eles mesmos sobre seus corpos, especialmente as mulheres, mas que não seja uma decisão imatura e inconsequente – precisamos dar ferramentas para que possam escolher com clareza e maturidade para enfrentar as consequências, sejam elas boas ou ruins. E você, qual é a sua opinião? Vamos discutir mais sobre isso?

 

 

 

(ATENÇÃO: Esse texto é apenas a parte final da série Virgindade e sexo antes do casamento e não deve ser lido isoladamente. Para uma compreensão completa, é necessário ler os textos anteriores: Introdução, parte 1, parte 2 e parte 3.)

2 Comentários

  1. Tabita disse:

    Gostei muito da série, serviu para reforçar ainda mais em mim a crença que a abstinência (até o casamento) seja a melhor opção. O coração do homem é enganoso; por mais que no momento a pessoa não esteja mentindo descaradamente sobre seus sentimentos e vontades, há uma chance grande deles mudarem no período do namoro. Se a pessoa for séria e não casar apressadamente, entenderá o casamento como uma decisão racional de grande comprometimento, o que previnirá uma série de desgastes.

  2. Carla Cristiane Ribeiro disse:

    Isabela, acompanhei os textos e quero te parabenizar pela forma com a qual escolheu abordar o tema.

    Você foi biblica, prudente e sensata. Continue abordando assuntos espinhosos como este para que em um futuro próximo sejam mais comuns para serem discutidos.

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