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Uma das reclamações que eu mais ouço dos homens crentes é que as mulheres da igreja escolhem demais ou só dão valor aos caras “do mundo”. Será que é verdade?

Na minha opinião, isso é verdade, sim, mas em parte. Não são as mulheres cristãs que rejeitam os homens cristãos. O problema é que existe um comportamento que é típico de homem crente e que tem afastado as mulheres, levando-as a buscarem seus companheiros fora da igreja ou até mesmo fazendo-as preferir ficar sozinhas.

Resolvi falar sobre isso sob uma ótica bem pessoal, baseada no que tenho observado ao longo da minha vida cristã e nas conversas que já tive com mulheres crentes. Por isso, quero desde já avisar que não estou generalizando, estou apenas falando de algo que eu vejo com muita frequência – e que acho que muitas irão concordar.



Homens solteiros


A forma como os homens são orientados nas igrejas, seguindo a cartilha do discurso machista dominante, contribui para que eles ajam como se fossem uma espécie de ‘produto raro’ – afinal, tem mais mulher do que homem no mundo, né? Por isso, acreditam que precisam ser cautelosos e analisar bastante a mulher com quem vão se envolver, observando se ela é realmente “virtuosa” como a igreja diz que tem que ser. Isso os torna um tanto apáticos na conquista, principalmente quando usam a desculpa de que estão “orando pela pessoa certa”. Não há problema nenhum em orar pela pessoa certa e ser cauteloso na escolha, o problema é quando isso vira um pretexto para não se arriscar e não tomar uma iniciativa, pois nesse longo período de observação e supervalorização de si, a chance de aparecer um cara mais desenvolto (geralmente de fora da igreja) e conquistar a moça pretendida é bem alta. Muitos homens crentes ainda não entenderam que Deus não vai chamar a pretendente pra sair, não vai puxar um bom papo, não vai fazê-los “aparecer” pra ela. Simples assim.

E o pior de tudo é que homens crentes geralmente não aceitam mulheres que tomam a iniciativa, pois a sua formação conservadora lhes faz acreditar que esse é um tipo de mulher fácil, logo, não serve como namorada séria /esposa. Complicado, não?


Homens comprometidos


Aqui acontece um fato curioso: depois que os homens começam um relacionamento, eles assumem uma postura totalmente oposta à que tinham quando solteiros, incorporando de forma exagerada o papel de “cabeça” que a igreja tanto ensina e agindo como se fossem donos da mulher. Alguns conseguem até disfarçar um pouco no namoro, mas depois que casam assumem esse comportamento também e passam a exigir que a mulher seja uma espécie de serva sua, que viva em sua função.

De sujeitos apáticos a homens mandões e controladores: esse é o percurso que muitos crentes percorrem em seus relacionamentos (mais uma vez, repito: não quero generalizar, mas isso acontece muito!).


Ops…! Parece que o mundo mudou!


Sim, os tempos mudaram e os velhos papeis de gênero outrora estabelecidos não nos servem mais. As mulheres alcançaram outro status na sociedade, que ainda está bem longe do ideal, mas que já trouxe vários avanços.

Elas têm conquistado seu espaço e provado sua capacidade para exercer múltiplas tarefas que vão muito além do tradicional “mãe, esposa e dona de casa”. As mulheres têm evoluído, mas parece que os homens não têm acompanhado isso.

Aquele perfil masculino que a igreja sempre disse que era certo não nos interessa mais porque é algo embasado numa mentalidade machista e dominadora, e não na Palavra de Deus. Aquele cara provedor, que sustenta a casa mas que, em troca, exige obediência e subserviência, o cara que quer ser rei absoluto, que quer uma mulher subjugada para chamar de sua e acha que tem uma proposta irrecusável de relacionamento… esse cara não exerce mais nenhum tipo de atração sobre muitas de nós. Virou uma caricatura triste do passado, ficou deslocado no tempo, pois não precisamos mais nos submeter a uma relação dessas. Temos nos tornado cada vez mais independentes e um relacionamento que oferece como única vantagem o sustento material tem sido pouco ou nada atrativo simplesmente porque podemos nos sustentar sozinhas sem precisar ser dominadas por ninguém.

Queremos companheiros, não patrões. Queremos um relacionamento com amizade e respeito, não uma relação hierárquica e de medo. Queremos alguém pra dividir a vida, não pra tomar conta dela. Queremos amor, não dependência. Vantagem têm aqueles que compreendem e praticam isso, aqueles que conseguem caminhar junto, que estabelecem com suas namoradas, esposas ou companheiras uma relação de respeito e cumplicidade. Se eles estão dentro da igreja, ótimo, mas se estão fora, continuam em vantagem, porque pra nós de nada adianta casar com um crente que não sabe viver os princípios da sua fé dentro do casamento.

Se muitos homens ainda não querem se desapegar desse estereótipo de masculinidade cristã, sinto dizer, mas vão ficar pra trás. Esse modelo de homem que a igreja tem formado há séculos se tornou produto obsoleto no mercado, não se encaixa mais no nosso contexto, não tem fundamento bíblico e não se sustenta no dia a dia. Conviver diariamente com alguém que só exige e não se esforça para dar nada é uma tarefa desumana, uma escravidão sentimental, e as novas gerações de mulheres estão descobrindo isso cada vez mais cedo. Esse é um dos motivos de ter muita mulher solteira, muitos casais se divorciando e muitas mães solo na igreja: porque estamos nos submetendo cada vez menos.

Aos poucos estamos perdendo o medo dos rótulos de “mulher encalhada”, “mãe solteira” e “mulher divorciada” porque temos aprendido que eles pesam menos do que uma relação de anulação, um casamento de fachada que não nos faz feliz e que serve apenas para dar satisfação à sociedade. A gente anda pra frente, quem não quer acompanhar, fica pra trás. E sim, temos optado por ficar sozinhas. Eu sei que isso doi no ego de vocês, por isso, melhorem, homens. Melhorem.




1 Comentário

  1. Liane disse:

    Pensa num texto maravilhoso.

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