Quando o pastor se divorcia
4 de fevereiro de 2018
Amizades tóxicas: sim, elas existem!
25 de fevereiro de 2018

Sobre mulheres guerreiras e homens nem tanto

Recentemente, no casamento de um amigo, antes de iniciar a cerimônia o pastor fez uma menção honrosa às mães dos noivos, pela força e dedicação na criação de seus filhos num contexto de muitas dificuldades e extrema pobreza. Ele fez questão de ressaltar que elas fizeram um trabalho dobrado, deixando clara a falta de participação dos respectivos pais (que estavam ali presentes). Achei digno e justo esse reconhecimento público – uma forma de dividir o mérito daquele casamento com as mulheres que criaram e deram condições para que os noivos chegassem até ali. Mas não pude deixar de me perguntar: “até quando?”

Quantas mulheres você conhece que criam ou criaram seus filhos sozinhas, com todo sacrifício, enquanto os pais simplesmente seguiam suas vidas leves e soltos, como se não tivessem em débito com nada? Quantas vezes você ouviu argumentos do tipo “ele não tem juízo”, “não estava preparado” ou “ele não queria ter filhos” para tentar justificar a negligência desses homens enquanto jogam a responsabilidade sobre as mulheres? E aí, talvez numa tentativa de compensá-las, surgem aqueles chavões que todo mundo conhece: mulher guerreira, mãe batalhadora, forte, lutadora… elogios dúbios para consolar mulheres sobrecarregadas pela falta de escrúpulo dos seus (ex) companheiros.

Quando será que essa cultura vai mudar? Quando vamos parar de passar a mão na cabeça dos homens que abandonam seus filhos como se isso fosse apenas uma travessura? Criar filho sem pai não é fácil (nem para a mulher rica e muito menos para a mulher pobre). Não é mole encarar a dupla jornada que todas nós já encaramos somada ao papel da maternidade. Imagine encarar tudo isso e mais a empreitada de suprir a falta de um pai, fazendo sozinha um trabalho que deve ser feito em dupla. É desumano, é injusto, é imoral.

Chega de reforçar a ideia de que mãe é mãe, como se elas bastassem na vida dos filhos. Se mãe é mãe, pai é pai e não há ninguém que possa substituí-lo – nem mesmo a própria mãe, por mais boa vontade que ela tenha. Chega desses elogios que soam como cobrança, rotulando as mães de fortes, guerreiras, superpoderosas e impedindo-as de demonstrar suas fraquezas. Elas são serem humanos e, assim como não conseguem fazer filhos sozinhas, também não conseguem criá-los. O fenômeno das mães-solo, que hoje é tão comum e banalizado, na verdade é uma anomalia, uma agressão à mulher e à criança. Não nos acostumemos com isso.

A importância do pai na vida de uma pessoa é inestimável, é preciso parar de naturalizar a sua ausência. Um filho criado sem pai carrega lacunas para o resto da vida e, apesar de todos os transtornos que isso possa representar para a mãe, é sempre o filho o maior prejudicado. É urgente e necessária uma mudança nessa cultura que demoniza o aborto das mulheres, mas aceita o aborto dos homens. A noção da responsabilidade de se gerar um filho deve ser dada a eles com a mesma intensidade com que nos ensinam sobre extinto materno. 

E que futuramente a gente possa presenciar cerimônias de casamento em que ambos, pai e mãe, sejam reverenciados pelo esforço e dedicação com que cuidaram de seus filhos. 

1 Comentário

  1. Rhanely disse:

    Amo seus textos, exprime exatamente o que penso. Pena eu não conseguir exprimir com tanta facilidade quanto você! Que Deus te abençoe sempre!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *