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Na caminhada cristã a gente aprende com a Bíblia alguns princípios e ordenamentos diretos, que não permitem dupla interpretação, os quais somos desafiados a obedecer todos os dias. Mas nos últimos tempos eu tenho me perguntado com frequência: como esses ensinamentos têm sido tão mal interpretados? Que Evangelho é esse que está sendo estudado nas igrejas?

 

 Está tudo muito claro

 

Com Jesus eu aprendi que temos que almejar a justiça: “Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça porque serão satisfeitos.” (Mt 5:6).

Aprendi a exercer o amor acima de tudo: “Ame ao Senhor seu Deus de todo o coração (…). Esse é o primeiro e maior mandamento. E o segundo em importância é parecido: ame ao próximo como a si mesmo.” (Mt 22:37-39).

Aprendi que pobreza não é defeito e que Jesus ama os pobres: “Felizes são vocês, os pobres, pois o Reino de Deus pertence a vocês!” (Lc 6:20)

Aprendi que os marginalizados foram os que deram ouvidos à mensagem de Salvação, ao contrário dos privilegiados: “Porque João Batista pregou para que se arrependessem e se voltassem para Deus, e vocês não creram nele, ao passo que os cobradores de impostos e as prostitutas creram. E mesmo quando vocês viram tudo acontecendo, recusaram-se a se arrepender e crer nele.” (Mt 21:32)

Por esse motivo, ao ser indagado sobre o fato de andar com pessoas de má-fama e reputação duvidosa, Jesus os dignificou: “Há muito mais alegria no céu por causa de um pecador que volta para Deus do que por 99 justos que não precisam se arrepender.” (Lc 15:7)

Jesus me ensinou também o princípio da não-violência: “Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam;
Bendizei os que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam.
Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, nem a túnica recuses.” (Lc 6:27-29)

Ensinou como devemos tratar as pessoas: “Tratem os outros como vocês querem que os outros tratem vocês.” (Lc 6:31) “O seu cuidado pelos outros é a medida da grandeza de vocês.” (Lc 9:48)

Mostrou-me que vai desprezar aqueles que não ajudarem os menos favorecidos, os estrangeiros, os enfermos e os prisioneiros: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos; Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes. Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?
Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim.
E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna.” (Mt 25:41-46)

E lembrou que muitos ignoram deliberadamente o que Ele ordena: “Porque vocês desprezam as ordens expressas de Deus e põem no lugar delas as próprias tradições de vocês.” (Mc 7:8)

Mas deixou bem claro que em relação a isso não existe neutralidade: “Aquele que não é por mim é contra mim; se comigo não ajunta, espalha.” (Lc 11:23)

O apóstolo Paulo, por sua vez, fez questão de reforçar o que Jesus ensinou sobre o nosso comportamento em relação aos outros: “Não pensem unicamente em seus próprios interesses, mas preocupem-se também com os outros e com o que eles estão fazendo.” (Fp 2:4)

Lembrou que não somos melhores que ninguém: “Que é que faz vocês superiores a qualquer outra pessoa? (…) Por que proceder como se fossem tão grandes e como se tivessem realizado algo por si mesmos?” (1 Co 4:7)

Reforçou que não devemos usar de violência, mas sim da força e do poder de Deus: “As armas que usamos não são humanas; ao contrário, são poderosas armas de Deus para derrubar fortalezas.” (2 Co 10:4)

E deixou bem claro que para Deus não há diferenças entre nós: “Já não somos mais judeus, nem gregos, nem escravos, nem livres, nem simplesmente homens ou mulheres, porém somos todos iguais; somos um em Cristo Jesus.” (Gl 3:28)

Com Tiago entendi que não basta dizer que tem fé: “[…] não é suficiente apenas ter fé. É também preciso que façam o bem para provarem que a têm. A fé que não se manifesta por meio de obras é morta.” (Tg 2:17)

E com João aprendi em quê o ódio nos transforma: “Qualquer um que odeia seu irmão em Cristo já é, na realidade, um assassino.” (1 Jo 3:15)

Com tantos ensinamentos tão claros (e esses são apenas alguns), como é possível que pessoas se amparem no cristianismo para justificar seu discurso de ódio e violência? E o pior: como é possível que milhares de pessoas acreditem e exaltem esses que ridicularizam a palavra de Deus com tamanha mentira? Jesus tem uma resposta muito simples para essas perguntas: “O erro de vocês é causado pela sua ignorância das Escrituras e do poder de Deus!” (Mt 22: 29)

Ou seja: quem vende e quem compra discurso de ódio travestido de cristianismo é quem não conhece nada das Escrituras, não conhece Jesus e não conhece o poder de Deus. Os ensinamentos divinos são transgressão para os olhos dos fariseus modernos, ao mesmo tempo em que são pesados demais para serem seguidos por seus corações cheios de soberba. Paulo previu isso em uma de suas cartas: “Chegará uma época em que as pessoas não suportarão a verdade, mas andarão de um lado para o outro procurando mestres que lhes digam apenas aquilo que desejam ouvir.” (2 Tm 4:3)

É exatamente o que estamos fazendo: buscando discursos que nos são atraentes e colocando-os na boca de Deus. A partir do momento em que seguimos o que queremos, e não o que Ele determina, estamos usurpando o Seu lugar e idolatrando a nós mesmos. Para muitos parece bobagem, mas não é: “Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá.” (Gl 6:7)

Ainda dá tempo de nos conscientizarmos. “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1:15). No verdadeiro Evangelho.

 

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