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“Serviço de mulher”. Certamente você já ouviu essa expressão. Ainda existem vários tabus em relação às atividades que a mulher deve ou não desenvolver no mercado de trabalho e dentro de casa, mas engana-se quem pensa que a igreja está livre disso. Já falei aqui sobre a divisão injusta de trabalho nas igrejas e hoje eu quero falar sobre as pressões que a gente sofre para abraçar determinados ministérios. Quem nunca passou por isso?

Parece que alguns ministérios foram criados especificamente para nós, por uma lei que não está escrita em lugar nenhum. Um deles é o ministério de intercessão. Na igreja, toda mulher tem que ser “mulher de oração”, aquela que tem o dom de interceder pelas pessoas, promover vigílias, acordar de madrugada para orar e ter um caderninho com nomes e problemas de cada um para colocar em suas orações. Se ela for casada com um pastor ou líder, a pressão só aumenta! E muitas vezes problemas pessoais ou até mesmo com nossos maridos e família são atribuídos à nossa falta de oração.

Essa questão me toca de uma maneira bem particular, pois nunca consegui me encaixar nesse perfil e por um tempo senti muita culpa, achando que não tinha fé suficiente. Só que o problema era outro: sou uma pessoa extremamente dispersa e não funciono em vigílias e orações de grupo, preciso estar só para conseguir orar e me conectar com Deus. Também não consigo acordar de madrugada, meus hábitos e minha produtividade são diurnos. Até eu descobrir isso, arrastei uma enorme corrente de culpa e vergonha sem necessidade.

O ministério de intercessão é extremamente importante, é trabalho de base, e eu não quero aqui, de forma alguma, tirar o seu valor. Mas oração não é um “dom” exclusivo das mulheres – todos nós precisamos exercitá-la, independente do sexo, pois todos precisamos nos comunicar com Deus. Sinto que existe uma pressão para que sejamos mulheres de oração, mas não costumo ver incentivos nem cobranças para que os homens sejam intercessores na vida de suas esposas, de sua família, de seus líderes ou de sua igreja, o que é importantíssimo também. Por quê?

Outros ministérios que parecem exigir o pré-requisito de ser mulher: crianças, eventos e serviços essenciais (cozinha e limpeza). Quem cuida do berçário da sua igreja? E da cantina? Quem organiza as festas (aniversário da igreja, eventos para arrecadar fundos, homenagens etc.)? Quem decora a igreja nas datas comemorativas? Quem limpa e organiza tudo antes e depois de cada evento? Geralmente são as mulheres. Mas é necessário que os homens saibam que não há problema nenhum em ajudar nesses trabalhos. Eles não serão menos homens por causa disso e sua ajuda será sempre muito bem-vinda!

A nossa cultura machista destina às mulheres tudo que é relacionado ao cuidado, alimentação, organização, limpeza e trabalhos manuais. É simplesmente uma reprodução do estereótipo de feminilidade, que acontece de forma opressiva no mundo secular e que, infelizmente, a igreja reforça. Mas aqui vai uma informação “inédita”: homens também podem ter esses dons e exercer essas habilidades! E mulheres também podem ter outros dons além dos estereótipos! Vamos quebrar esses paradigmas?

Jesus soube aproveitar o melhor de cada discípulo de forma que, em sua diversidade, todos puderam contribuir de forma significativa para a obra. Por que na igreja tem que ser diferente?

“Cada um exerça o dom que recebeu para servir os outros, administrando fielmente a graça de Deus em suas múltiplas formas.” (1 Pe 4:10)

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