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“Dinheiro compra tudo, até amor verdadeiro.” Essa frase irônica é repetida aos montes por aí, geralmente para se referir a um casal que se uniu pela força do interesse material. Mas tenho tido o desprazer de constatar, na prática, que ela não é uma simples brincadeira. Na sociedade em que vivemos, dinheiro realmente compra tudo.

Trabalho num órgão público e em locais como esse você enxerga com lente de aumento como as pessoas são capazes de se vender e jogar no lixo os interesses de uma coletividade para obter vantagens pessoais. Se vendem por cargo ou pela promessa de um. É tudo muito efêmero, claro, pois a política muda o tempo todo e a gente sabe que ela afeta os órgãos públicos, mas ainda assim as pessoas acham que vale a pena. Serviço público é terra de ninguém, onde direitos são negados ao trabalhador e onde fazem uma verdadeira farra com nosso dinheiro, mas nada acontece, já que existem muitas formas de corromper as lideranças e matar qualquer movimento de reivindicação ou denúncia. E nós aceitamos, compactuamos com isso – afinal, amanhã o “agraciado” pode ser eu, né? E é engraçado ver como os sujeitos corrompidos flexibilizam sua moral para explicar a própria conduta duvidosa. Seria cômico se não fosse trágico ver surgir argumentos como “preciso pensar na minha família” para justificar seus atos egoístas em detrimento de uma coletividade. E não pense que são pessoas ruins que fazem isso. São justamente aquelas que consideramos “pessoas de bem”, honestas e, pasmem, muitos crentes! É Mamom regendo as relações, os interesses e as condutas.

Dei o exemplo do serviço público, mas esse comportamento está em todos os lugares. O que está em jogo, ou seja, os “prêmios” da corrupção, são muitos e de todos os valores e engana-se quem pensa que ela só está relacionada a grandes quantias. Não temos moral alguma para reclamar dos nossos políticos porque somos exatamente iguais e se estivéssemos no lugar deles, faríamos as mesmas coisas. Eu me recuso a encarar tudo isso como natural e ainda me escandalizo com os casos que vejo, mas às vezes tenho a impressão de que está todo mundo bem adaptado a essa realidade. Somos hipócritas!

Eu sei que nada do que estou falando aqui é novidade. A Bíblia já nos alerta há muito tempo sobre a idolatria ao dinheiro e sobre o que as pessoas são capazes de fazer por ele. Mas geralmente colocamos esse universo muito distantes de nós – é o político corrupto, o empresário desonesto que aparece nos noticiários, a celebridade que vende o corpo e a privacidade por uma pontinha na TV… É difícil perceber e admitir que a idolatria a Mamom está bem ao nosso lado (ou até dentro de nós mesmos). É difícil e bem doloroso olhar ao redor e perceber que todo mundo tem um preço e que as exceções são muito mais raras do que pensamos.

A sua honestidade tem preço? E o seu caráter? Você abriria mão das ideias que acredita em troca de dinheiro? Você prejudicaria o coletivo para garantir um conforto a mais pra você ou pra sua família? Geralmente costumamos responder ‘não’ a todas essas perguntas, mas na hora em que somos confrontados é que se tira a prova dos nove. Falar é bem fácil, mas resistir à oferta quando ela chega até a gente é outra história. É nessas horas que fica bem claro quem é quem, a despeito de qualquer discurso bonito. E todo mundo ao redor, mas principalmente Deus, fica sabendo qual é a nossa conduta diante dos “manjares do rei”. Qualquer tentativa de justificar é apenas auto-engano.

Mamom é um deus cruel que escraviza seus servos, mas ainda assim tem muito mais gente disposta a seguí-lo do que disposta a seguir Jesus. A escolha é de cada um, mas quando se escolhe seguir a Jesus, Mamom necessariamente tem que ficar de fora.

Eu me preocupo com a flexibilização do conceito de honestidade que tem se tornado cada dia mais comum e acredito que essa é uma preocupação da igreja também. Não podemos mudar o mundo, mas podemos impedir que seus valores nos contaminem. A luz não se mistura com as trevas (2 Co 6:14). Nós temos o conhecimento da Verdade (Jo 8:32) e fomos orientados a não nos conformar com este mundo (Rm 12:2), portanto, não podemos admitir entre nós meio-termo, meio-Evangelho, meia-retidão. Jesus não flexibilizou seus ensinamentos nem sua conduta e ainda sentenciou que “quem não é comigo, é contra mim” (Lc 11:23). Precisamos parar com essa mania de querer conciliar o inconciliável. Temos que carregar a nossa cruz a assumir com firmeza a nossa postura, afinal, de quem somos seguidores? Se temos convicção do que cremos e a quem servimos, o nosso desafio diário é “se prostrar todo dia e provar ser fiel; ser lançado na cova, sair ileso como Daniel”. Essa é a minha oração. E a sua?

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