As mulheres têm medo do poder?
23 de maio de 2018
Pesquisa: Pastorado Feminino (parte 2)
31 de maio de 2018

Há alguns dias recebi nesse blog um comentário de incentivo de uma pastora. Ela relatou brevemente que sente na pele o preconceito por ser mulher exercendo essa função e que a maioria esmagadora das mulheres não a procura para aconselhamento (mas procura o seu marido, o pastor). Fiquei surpresa com essa informação, pois nunca tinha ouvido falar sobre isso, e quis saber mais. Fui pesquisar, mas não achei nada sobre o assunto na internet (quem tiver fontes, por favor, me mande!). Então resolvi eu mesma fazer minha sondagem, com as poucas ferramentas que tinha.

Criei um questionário rápido, com cinco perguntas, e distribuí entre os meus contatos crentes nas redes sociais. O resultado vou detalhar aqui e dividir em dois textos, para não ficar muito longo. Mas antes quero deixar bem claro que isso não é uma pesquisa profissional. Sei das minhas limitações, sei que não dá pra se aprofundar no tema com apenas cinco perguntas e que a quantidade de pessoas entrevistadas foi pequena e dentro de um universo restrito. Levei em consideração também que algumas respostas são bastante vagas, não permitindo chegar a uma conclusão bem definida. Mas a minha intenção era somente sondar o que as pessoas pensam sobre o tema ‘pastorado feminino’. Quem sabe futuramente não consiga melhores condições para fazer uma pesquisa de verdade, com todo rigor necessário? Enquanto isso não acontece, vamos ao que temos hoje:


Você acha que mulheres podem exercer o ministério pastoral numa igreja?



Apesar de mais da metade das mulheres acreditar que podemos, sim, exercer o pastorado, um total de 46% delas acredita que não podemos ou tem dúvidas sobre isso, o que é um número bastante alto. Considerando a margem de erro, pode-se dizer que estamos praticamente divididas.

O que surpreende, no entanto, é a quantidade de homens que acreditam que sim: 59%, ou seja, mais da metade. Apenas 28% admitiu acreditar que não podemos ocupar o lugar de pastoras. Esses dados não são compatíveis com o que vivemos nas igrejas, então ficam vários questionamentos: será que a igreja está se deixando dominar por uma minoria convicta? Ou será que muitos homens mentem sobre sua verdadeira opinião? Se eles mentem, por que fazem isso? Por que não conseguem sustentar uma opinião da qual têm convicção? Será que têm tanta convicção assim?


Você frequentaria uma igreja pastoreada por uma mulher?





A maioria das pessoas que respondeu a essa pergunta disse SIM, mas é difícil comparar esse dado com a realidade, já que temos pouquíssimas igrejas cuja titularidade pastoral é de uma mulher (eu não conheço nenhuma). Talvez esse fato por si só já diga muita coisa sobre como os cristãos encaram o assunto.

Mais uma vez, chama a atenção a quantidade de mulheres que disseram não ou talvez: 43%. O que as leva a hesitar? Quais seriam suas justificativas?


Se você estivesse precisando de aconselhamento e sua igreja disponibilizasse um pastor ou uma pastora para acompanhá-lo(a), quem você escolheria?


 


Nenhum homem escolheu a pastora. Isso é bastante revelador: enquanto nós fomos acostumadas, dentro da igreja, a desabafar e pedir ajuda a homens (pastores) sem grandes constrangimentos, parece que os homens não se sentem à vontade para fazer o mesmo com mulheres (pastoras). Claro que a falta de autoridade da mulher no meio cristão contribui para isso.

Mais da metade das pessoas afirmou que a escolha dependeria do tipo de problema, o que me levou a crer que há uma divisão sexual de assuntos. Que tipo de assunto caberia a cada um? Será que seria algo diferente do que já acontece em nosso cotidiano, no qual convencionou-se que homens falam de trabalho, dinheiro e sexo enquanto mulheres falam de sentimentos, cuidados, estética e assuntos do lar?

Por fim, fiquei surpresa com a quantidade de mulheres que procurariam a pastora independente do assunto: apenas 31%. Confesso que esperava muito mais, pois sempre achei que mulheres se sentissem mais à vontade para expor seus problemas com outras mulheres (principalmente os mais íntimos) e que isso só não acontecia nas igrejas pela absoluta falta de pastoras. O resultado, porém, demonstrou basicamente duas coisas: 1) que o nível de confiança que temos umas nas outras é baixo; 2) que não aceitamos a ideia de podermos exercer liderança e, consequentemente, não nos legitimamos nesses espaços. Aqui vale fazer a clássica pergunta: a quem interessa que nos comportemos assim? Essa pesquisa continua aqui, clique para ver a segunda parte.



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *