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Esta semana comemoramos 500 anos da Reforma Protestante. Meio século depois, aqui estamos nós, mais uma vez, vivendo um cenário de cegueira, escravidão, exploração e injustiça. Dentro da igreja, vemos a Palavra de Deus ser manipulada para beneficiar uns poucos, uma multidão ser enganada por meio da sua fé, pessoas se utilizarem da estrutura eclesiástica para se promover e conseguir benefícios pessoais e Deus ser posto à venda como mais um produto dessa vitrine capitalista, um artefato mágico que só serve pra atender os caprichos dos seus consumidores. Fora da igreja, o cenário está ainda mais desolador: fome, desigualdade, intolerância, violência, perda de direitos… tudo isso coroado por uma política corrupta e cínica, que tem promovido um verdadeiro massacre aos trabalhadores e às minorias com o apoio de partidos ditos “cristãos”.

E onde está a igreja em meio a tudo isso? Será que está anestesiada, com medo de confrontar “pseudo-autoridades” instituídas por Deus? Ou será que está omissa porque também está participando desse jogo nefasto de poder, refestelando-se com todo luxo e benesses obtidos às custas não só de seus fieis, mas também de toda a sociedade? O Pregador de Eclesiastes disse que não há nada de novo debaixo do sol (Ec 1:9), logo, todas as injustiças que vivemos hoje já são velhas conhecidas da humanidade. O que vemos na igreja de nossos dias é bem semelhante ao que Lutero viu há 500 anos. O cenário político atual se encaminha para uma repetição do que já vivemos num passado bem recente, com censuras, perseguições e privações. E o que a igreja tem feito diante disso (ou deixado de fazer)?

Não podemos esquecer que Jesus nos deixou um exemplo de inconformismo e de consciência social. Ele denunciou, agiu, não se intimidou diante das injustiças, não fechou os olhos para o sofrimento do seu povo. A igreja primitiva foi perseguida e muitos de seus seguidores foram mortos por propagar a libertação do Evangelho, desafiando as velhas estruturas. Em muitos momentos da história o Cristianismo foi revolução. No entanto, parece que esquecemos o nosso passado de luta e resistência e estamos assistindo a tudo de braços cruzados, conformados.

A Igreja de Cristo deve ocupar a linha de frente na luta por direitos e dignidade e na busca por justiça social, pois foi isso que Ele nos ensinou: bem aventurados os que têm fome e sede de justiça (Mt 5:6). Então por que estamos calados? Por que estamos parados? O Evangelho é prático, não é apenas uma teoria. E sua prática não se resume ao espaço do templo – deve alcançar todas as esferas da vida de um cristão, inclusive a política. O que podemos fazer para mudar essa nossa realidade de injustiça e corrupção que temos enfrentado hoje?

Que o espírito da Reforma Protestante não desapareça em nós. Que lembremos todos os dias que ainda tem gente que sofre, que morre por causa da tirania dos governantes, da ambição dos homens, da falta de amor, e que muitas vezes a própria igreja contribui para isso, servindo como instrumento de alienação, propagando a desigualdade e participando do jogo sujo de poder. Sigamos o exemplo de Jesus; não sejamos mornos como a igreja de Laodicéia (Ap 3:14-16); nos calemos; não nos conformemos. Afasta de nós esse “cale-se”, Pai!

 

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