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O dilema da mulher solteira

Parece inacreditável, mas numa sociedade que celebra a solteirice e na qual as pessoas estão se casando cada vez mais tarde (já que o casamento é visto por muitos como uma prisão), a mulher adulta e solteira continua sendo considerada como uma estranha no ninho e sofre para conseguir seu espaço.

Dia desses eu conversava com uma amiga e ela desabafou dizendo que não se sente incluída na igreja, pois não há grupos ou atividades destinados a mulheres adultas e solteiras como ela. Falou ainda sobre a sua dificuldade em se entrosar por conta disso e sobre as pressões que sofre para que se case logo. Infelizmente ela não é a única a enfrentar essa situação.

A grosso modo, dentro das igrejas a lógica é mais ou menos a seguinte: os membros são separados por grupos de crianças, adolescentes, jovens, casais e senhoras. Como se leva em consideração que o casamento acontece na juventude, as mulheres saem do grupo de jovens e passam a frequentar o de casais, afinal, mulheres adultas têm que estar casadas. E realmente durante muito tempo foi assim, com raras exceções. Só que nos dias de hoje a exceção está ganhando expressividade e a igreja tem ignorado a imensa quantidade de mulheres adultas e solteiras (e homens também). Essas pessoas têm ficado, portanto, à deriva, pois parece que há um certo receio da igreja em falar para elas. E qual tem sido a solução? Ignorá-las.

Minha intenção aqui é chamar a atenção para uma questão que tem se agravado e que tem levado muitas mulheres a se afastarem dos caminhos do Senhor, pois elas não conseguem se identificar com o que veem nas igrejas. Mulheres solteiras (por opção ou não) são discriminadas por não terem um marido ao lado e por não se encaixarem em um padrão que muitas vezes é imposto (não é à toa que muitos casamentos acontecem sem amor, como eu já falei aqui). Elas não recebem um discipulado adequado para o seu perfil e nem têm o acolhimento de um grupo no qual possam compartilhar experiências, falar com pessoas que vivem a mesma realidade, conversar sobre seus dilemas, realizações e emoções. E ainda são pressionadas para casar e se enquadrar no “padrão ideal”. Em suma: elas não são aceitas como são.

É claro que esse tipo de situação não acontece apenas no meio evangélico. A igreja reproduz um comportamento que é típico de uma sociedade machista. Para além dos muros dos templos também temos que encarar essa realidade na qual a mulher com mais de 30 anos e solteira é considerada “encalhada”. Numa sociedade patriarcal como a nossa, toda mulher precisa de um homem para validá-la, para torná-la respeitável. Quando não há, isso é considerado um problema (ainda que a própria mulher não veja assim) e a culpa lhe é sempre imputada: ela não tem namorado / noivo / marido porque não sabe se comportar, porque é gorda e deveria emagrecer, porque é feia, porque assusta os homens com sua independência etc. etc. etc.. A celebração da solteirice de que eu falei lá no início do texto só vale para o universo masculino. Mulheres não podem gostar de ser solteiras, elas têm que lamentar. De acordo com o pensamento machista dominante, o casamento representa o sonho de toda mulher e o fim da vida dos sonhos de todo homem. Mas na vida real as coisas não são assim. Existem muitas mulheres que não querem casar e muitos homens que sonham com uma esposa e uma família. Nós precisamos aprender a questionar essas ideias prontas que nos são ensinadas desde criança.

Enquanto igreja, não podemos reforçar um padrão de comportamento mundano que leva ao preconceito e à discriminação da mulher. O machismo deve ser questionado em nosso meio, sim, pois ele é o causador da maioria das nossas dores. Comecemos, então, por tirar a capa de invisibilidade das mulheres solteiras e incluí-las no dia a dia da igreja, pensar em programações específicas para elas assim como se pensa para outros segmentos, ouví-las sem julgamentos e acolhê-las de fato, sem cobranças. Devemos ter em mente que cada um tem uma trajetória de vida diferente, portanto, não devemos (nem podemos) trilhar exatamente o mesmo caminho. Por sermos seguidores de Cristo e conhecermos a Palavra que liberta, temos todos os instrumentos para quebrar com um ciclo de exclusão, inferiorização e solidão que envolve as mulheres solteiras das nossas igrejas. Façamos isto.

9 Comentários

  1. Roberto disse:

    Eu QR uma linda mulher para eu cer Féliz

  2. Melyssa disse:

    Discordo com o comentário do ”Ney” acima.

    Ninguém precisa se masturbar só porque está solteiro e a ”carne” é fraca.

    Estou cansada dessas desculpas sociais ridículas que dão a fim de justificar a coerção aos solteiros em direção ao altar. Tenho 19 anos, nunca namorei e nem quero. Fui criada num lar onde não vi um casamento bem-sucedido dos meus pais, minha mãe só não se separava por medo de ser morta ou perseguida pelo meu pai.

    Durante muito tempo achei que todos os homens eram assim, mas me enganei. Pode até ter uma grande parcela que ainda sejam uns machistas imbecis (principalmente dentro da igreja) mas não são todos.

    Sofri vários abusos quando era criança e também bullying na escola. Não tenho nenhum ”defeito” físico, pelo contrário… as pessoas dizem que sou muito bela. O que importa a beleza se não acredito no amor?

    O amor de Deus é real, e é o ÚNICO no qual confio plenamente. Eu RESPEITO imensamente todos que queiram casar e ter um relacionamento, construir família, mas essas não são MINHAS metas de vida. Eu não me vejo PRESA dentro de um casamento de jeito nenhum.

    Além de tudo isso, 99% dos homens que conheço ainda acham que somos o ”sexo frágil”… eu costumo dizer que frágil é o vidro. Mas cuidado, ele quebra e corta.

  3. Sueli disse:

    Gostei muito do artigo. Essa é uma realidade que vivo também, pois a maioria dos templos religiosos separa mesmo os frequentadores em grupos: evangelização de crianças, grupo jovem, grupo dos casais, grupo da terceira idade, encontro das famílias… então eu que não sou criança, nem jovem, nem casada, nem estou na terceira idade, nem tenho família que queira participar comigo, só posso ir a uma missa ou culto e ir embora, invisível, sem ser acolhida. Qual o problema em se fazer palestras e eventos que aceitem a participação de todos simultaneamente? E a questão de casar, hoje os tempos mudaram no sentido de que temos muito mais informações que antigamente, pois é possível saber que casar não é garantia de felicidade, pois muitos empurram um casamento durante décadas com a barriga, ou muitos nem duram muito tempo e acabam, a maioria sem amor. Mas o solteiro que prefere observar e tomar cuidado é tido como aquele que não tem competência para ter um parceiro, a mulher que não casou e não teve filhos é desprezível, não é uma mulher plena, etc. Também tem a questão do ciúme, pois uma moça que entra num lugar que só tem casadas gera desconfiança: o que ela está fazendo aqui, será que quer “roubar” meu marido. Será que Jesus Cristo, por ter sido solteiro, se entrasse hoje numa igreja seria discriminado e posto de lado?

  4. Ney disse:

    É preconceito eles acham q solteiro não conseguem ficar só sem a masturbação aí te julgam,de fato eles tem razão a carne prevalece mais nos solteiros ,pelo menos comigo è assim.

  5. Fabí disse:

    Infelizmente é exatamente o que vivo. O que não foi dito no texto e ocorre bastante e já aconteceu comigo, é o ciúme das irmãs casadas com as solteiras. Por não ser casada, já fui vista como ameaça, como “menina”, rasa na fé… Excluída dos encontros de mulheres… Passei por coisas lamentaveis dentro da igreja. Preciso casar para ser aceita no corpo de Cristo…triste.

  6. Luciane disse:

    A pressão para que casemos é grande dentro das igrejas, na que frequento já foi mais, hoje aprenderam a nos respeitar e a criar um grupo destinado a nós, mas a verdade, é que o desejo de casar é de todas nós, que pertencemos a este grupo, não é imposição, dificilmente vai se encontrar uma mulher que chegou aos 30, 40, 50 anos que não queira casar, as que não querem, é porque ainda não se libertaram de algum problema do passado, alguma desilusão, ou a falta de esperança mesmo, por não enxergar opções, existem exceções claro, mas o que vejo em mim e nas irmãs solteiras e adultas que convivem comigo é o mesmo: queremos casar, mas não encontramos parceiros desejosos de seguir o caminho que escolhemos: Jesus. Um ou outro às vezes estão em nosso meio, mas desaparecem quando nenhuma de nós demonstra interesse a longo prazo. A questão que é todas queremos casar, mas não sem amor. Um casamento sem amor não prospera, além de deixar portas abertas em nossa vida que podem vir a ser extremamente perigosas para nós no futuro. E amor é algo que nasce e cresce com o passar do tempo, não é algo tão rápido, e a maioria dos homens tem uma pressa assustadora, mesmo dentro das igrejas. Procuro não criar muitas expectativas, no mundo de hoje está difícil até para os jovens, imagina para quem já tem uma certa idade… Considero que hoje, para a marioria de nós, só um milagre mesmo. Decidi não esperar mais, quando se espera demais, a tendência é criar angústia e ansiedade, dois sentimentos muito tóxicos, contaminam a alma e acabam afastando as pessoas de Deus. Dou glórias a Deus por congregar num local onde as pessoas não me pressionam mais. Se algum dia for da vontade de Deus, se tiver algum propósito nisso, este milagre virá, do contrário, sei que tenho sempre a proteção de Deus, como Pai, na minha vida. Independente de onde eu estiver. Vou vivendo e tentando não me contaminar com a tristeza da alma. O ser humano não nasceu pra viver sozinho, mas o mundo está levando à humanidade para a solidão, inclusive dentro das igrejas. Conheço alguns homens solteiros da minha faixa de idade, fora da igreja. Desdenham de Deus, desdenham das igrejas, desdenham das famílias. Homens doentes de alma, desdenhando justamente aquilo que precisam e não sabem, e não aceitam, endureceram o coração. Continuemos a caminhar e olhemos para o nosso prêmio, que é Jesus Cristo. Nesta vida, não sobrou muito com que se alegrar, vivemos tempos de apostasia, e Satanás ruge ao nosso deredor, tentando nos arrastar. Usando inclusive, a nossa solidão para nos atormentar, nos causar tristeza, impedindo inclusive, que prestemos culto a Deus de forma honrosa e alegre. Que Deus derrame Seu milagre sobre todos nós.

  7. MAIS UM disse:

    Eu sou homem e dei uma lida no artigo. Identifico sim essa realidade.
    Passo por problemas similares, mas no meu caso não é nada imposto a mim, porém eu é que tenho essa vontade e me coloco essa pressão por estar casado e ter alguém ao lado. Talvez o dia que deixar de por ,as coisas acontecam, enfim.
    Sempre tive barreira quanto a essas coisas. O negócio da aproximação, da conversa, do interesse, do passo adiante. Coisas que para mim parece que são de outro mundo. Pelo meu passado, pela criação que eu tive. Passei por alguns problemas e aliado a isto sou naturalmente travado o que só piora as coisas. Para mim parece não haver nada na igreja que me ajude. Não é somente vocês que se sentem só na igreja. Eu também e todos que compartilham de minha dificuldade também estão. Posso contar somente comigo nessa empreitada. Alias, sózinho jamais, porque tenho a Jesus. Enfim…. acredito que de certa forma isso é tudo plano de satanás para minar os casamentos e as uniões.

  8. mais uma disse:

    Nossa!! Deus me trouxe ao texto certo, obgd, eu to passando por td isso… Estou cansada, só quero q entendam q eu sou mais do que uma jovem desesperada por um macho.

  9. Ariane disse:

    Ola! gostei da abordagem deste tema … infelizmente nas igrejas evangélicas(porque pertenço a esre grupo) as jovens solteiras como eu são descriminadas pela jovens mais novas que nos considerada velhas e pelas mulheres casadas. Ja me senti como uma “ameaça” passei por muito constrangimento…chorei mas eu não posso deixar Jesus , confesso que ja deixei de ir a igreja por nao me sentir bem.
    Não sei qual é o tempo de Deus pra mim, sonhe em construir uma familia… mas enquanto isso nao acontece gostaria de me sentir bem na igreja e muitas vezes isso não acontece e me atrapalha em prestar meu culto a Deus.

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