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Para os padrões do mundo de hoje, Jesus seria um fracassado.

Um homem de origem humilde, filho de carpinteiro e nascido numa manjedoura, que não tinha vaidade nem ambição. Não alcançou altos postos na sociedade, não tinha amizades influentes, vivia como andarilho e se relacionava com pessoas estigmatizadas, como mulheres adúlteras, cobradores de impostos, leprosos e pobres. Teve a chance de ter muitos reinos sob seu domínio (Lc 4:5-8), mas recusou. Podia ter provado pra todo mundo que era Filho de Deus, mas preferiu não fazê-lo (Lc 4:9-12). Podia ter usado o seu poder para escapar das perseguições e da crucificação, mas não usou. Foi preso, exposto às multidões, julgado como um delinquente e acabou morrendo na cruz, como morriam os piores criminosos da época. Depois de morto, não tinha sequer um túmulo pra ser enterrado e contou com a piedade de José de Arimateia (Jo 19:38-42). Não é o que se pode chamar de ‘história de superação’, né?

Mas o que seria considerada hoje uma história de derrota na verdade foi uma história de vitória. Vitória sobre a vaidade, sobre a sede de riqueza e de poder, sobre a necessidade de estar em destaque e de ser cercado por pessoas importantes. Vitória sobre as nossas vontades, sobre os desejos da carne, sobre as tentações, sobre os pecados do mundo e, por fim, vitória sobre a morte! Jesus venceu tudo isso e mostrou à humanidade que é possível abrir mão do próprio ego e da própria ambição para viver uma vida de serviço. Sua história ainda permanece viva, mesmo depois de mais de dois mil anos. Jesus permanece vivo e influenciando multidões. E, ao contrário de todos os heróis da história, não há nada que se possa descobrir sobre Ele que desabone sua conduta, pois Jesus é irrepreensível (Hb 7:26-27).

Resolvi escrever sobre essa aparente vida de derrotado de Jesus para mostrar que nem toda vitória vem cercada de glórias, aplausos e reconhecimento. Nem toda vitória é reconhecida socialmente, pois a humanidade perece no pecado e seus valores são bem diferentes dos valores celestiais. Acho válido a gente parar pra refletir de vez em quando sobre o rumo que temos dado a nossas vidas, sobre o que temos feito dela e o que temos buscado. É o tipo de reflexão que deve ser feita sempre, pois no caminho somos tentadas muitas e muitas vezes, somos influenciadas a adotar outros parâmetros, outros discursos, e com frequência não nos damos conta disso. Por diversas vezes já me peguei não me reconhecendo em meus atos, agindo de forma completamente diferente do que Jesus espera e do que eu acredito que é certo. O dilema de Paulo (“Não entendo o que faço, pois realmente quero fazer o que é correto, porém não consigo. Faço, sim, aquilo que eu odeio”, Rm 7:15) cabe perfeitamente em mim e em todas nós. Por isso é importante parar de vez em quando pra reavaliar a nossa vida, os nossos planos e os nossos valores.

Não nos enganemos com vitórias carnais. Poder, dinheiro e status social não querem dizer nada no Reino dos Céus. São distrações terrenas, meios de diferenciação social criados para discriminar e excluir. Enquanto cristãs, o nosso exercício diário consiste em praticar a humildade e não deixar que essas distrações tomem o lugar de Jesus em nossas vidas. O único herói da história que conseguiu ser fiel aos seus princípios e coerente até o fim foi Ele. Jesus é a nossa maior inspiração. Deus nos ajude a permanecer seguindo os passos dEle.

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