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Importante saber: casamento é ministério

Todos nós aprendemos desde cedo que um ministério só deve ser exercido por quem tem vocação, ou seja, por quem tem um chamado para exercê-lo. Não dá pra exercer (seriamente) um ministério de evangelismo sem sentir o chamado de Deus para ser um evangelista; para assumir (seriamente) um pastorado, tem que ter vocação para tal. Da mesma forma com o casamento: ninguém mantém uma vida conjugal feliz e duradoura se não tiver esse chamado.

Precisamos ser honestos com nós mesmos: nem todo mundo nasceu para casar. Nem todo mundo tem preparo ou disposição para assumir as responsabilidades de marido/esposa nem para conciliar seus interesses com os de outra pessoa de forma harmônica. E Paulo falou disso na carta aos Coríntios: “Não estou dizendo que vocês precisam se casar; é certo que poderão, se assim o quiserem. Mas isto não é um mandamento. Eu gostaria que todos os homens ficassem sem casar, tal como eu. Mas não somos todos iguais. Deus dá um dom a cada um: um tem este dom, o outro [tem] aquele. (I Co 7:6-7).

Como já falei num texto anterior, o casamento está sendo mais do que banalizado dentro da igreja – o que é uma incoerência, já que ela preza tanto pela manutenção da família. Por isso, está na hora da igreja parar de pressionar seus membros para que se casem a qualquer custo (principalmente as mulheres, que são as que mais sofrem com essas cobranças). Cada um sabe da sua capacidade, do seu desejo, do seu temperamento e do seu momento. Cada um pode escolher o que quer para si. Nem todas as pessoas sonham com um casamento e elas têm o direito de ser felizes sozinhas. E nem todas as pessoas podem viver um casamento porque muitas não têm essa vocação. O que importa é que Deus não rejeita nenhuma delas e que ninguém precisa atender às expectativas alheias – nosso objetivo é atender às expectativas de Deus.

Também está na hora da igreja parar de demonizar o divórcio e assumir que tem sua parcela de culpa pelo alto índice de separação entre crentes, pois ela ainda não sabe preparar as pessoas para tomar uma decisão tão séria quanto a do casamento. O ideal é que as igrejas falem não apenas das maravilhas da vida conjugal, mas também das responsabilidades que ela envolve. Que fale mais francamente sobre as suas dificuldades e que deixe bem claro que o casamento é um ministério que, assim como os outros, exige empenho, preparo, perseverança e muito amor. Porque não adianta forçar a barra: tem pessoas que simplesmente não conseguem viver casadas. E os motivos são vários – seja por falta de maturidade, seja por um temperamento difícil, por falta de vontade ou por não terem encontrado ainda (e talvez nunca encontrem) alguém com que achem que valha a pena casar. Se uma pessoa dessas se casa, muito provavelmente esse casamento vai acabar em divórcio e não há contra o quê lutar. Talvez com mais informação e menos pressão as pessoas tenham mais tranquilidade e consciência para fazer um autoexame e refletir se elas estão ou não preparadas para dar esse passo, para assumir esse ministério.

Essa deve ser a maior preocupação da igreja: a de munir os seus fiéis com o máximo de informação possível para que o ministério do casamento seja encarado com a devida seriedade e dedicação, e não apenas como uma licença para fazer sexo ou como uma solução para os problemas de relacionamento de um casal. Da nossa parte, enquanto membros, é importante que respeitemos as circunstâncias e as decisões de cada um e que façamos, nós mesmos, essa reflexão a fim de saber se somos vocacionados ou não para exercer esse ministério. Peça, antes de tudo, a orientação de Deus. Se você acha que não tem vocação para casar, não case. Mas se você acha que tem, saiba que terá que se dedicar para que seu casamento seja bem sucedido, pois todo ministério é assim: não basta ter o dom, tem que ter suor também. Sigamos o conselho de Paulo: “Mas, ao decidir tais assuntos, tenham certeza de que vocês estão vivendo como Deus planejou, casando-se ou não se casando, de acordo com a direção divina, e aceitando a situação em que Deus os colocar.” (I Co 7:17).

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