Pressões sociais parte 3: ministérios
4 de janeiro de 2018
O “empoderamento” das bundas e celulites
24 de janeiro de 2018

Já ouvi essa frase muitas e muitas vezes, geralmente dita por um homem. Mas quem tem que gostar são eles ou nós? Essa perguntinha desmonta qualquer um que chega querendo ditar regra pro nosso corpo, mas o que me incomoda não é tanto a regra em si, mas o que está por trás dela. Quando um homem diz que “não gosta de mulher maquiada”, muitas vezes a sequência de argumentos que seguem essa frase é um roteiro machista digno da idade da pedra: “você pensa que a mulher é bonita e depois descobre que não é”, “mulher tem que ser natural” e “maquiagem engana” são apenas algumas pérolas que revelam, além do machismo, a hipocrisia de quem fala.

O machismo está não só em querer ditar regras sobre o que uma mulher deve ou não fazer como também no fato de considerarem que a maquiagem é feita para eles e, pior ainda, para enganá-los. Em suas cabecinhas egocêntricas, a mulher se maquia para encantar e iludir os homens, escondendo sua verdadeira face. É como se fóssemos ardilosas feiticeiras fazendo uso de mil artifícios para envolvê-los! Já a hipocrisia salta aos olhos em pequenas atitudes masculinas do dia-a-dia: eles não disfarçam a admiração e / ou  atração por mulheres bem maquiadas e produzidas. Se não fosse assim, artistas de TV, modelos e celebridades não fariam tanto sucesso.

Algo muito caricato eu costumo ver entre homens crentes: muitos repudiam a maquiagem, defendem que a mulher não deve ter vaidade, mas não aguentam ver uma mulher bonita, bem vestida e maquiada. É como se quisessem dizer (e muitas vezes dizem): “mulher minha não tem que se produzir pra não chamar atenção de outros homens, mas eu posso apreciar as mulheres dos outros”. Quer coisa mais machista e retrógrada que isso?

Para os homens que leem esse texto, sinto decepcionar, mas a verdade é essa: vocês não são o centro de nossas vidas! Não nos maquiamos pra vocês e se a nossa maquiagem incomoda ou vocês se sentem enganados, o problema não é nosso. Guardem suas opiniões pra si e podem ir em busca de companheiras sem vaidade, mas sem precisar fazer alarde nem querer ditar regras pra ninguém. 

Mas se você que está lendo agora é uma mulher, não esqueça nunca: seu corpo, suas regras. Quer usar maquiagem todo dia? Use! Não gosta ou tem preguiça de se maquiar? Não use! Simples assim! Não seja escrava da vontade dos outros, pois quem gosta de você de verdade gosta da pessoa que você é, e não da sua “embalagem”!

Só quem é mulher e gosta de se maquiar sabe: a maquiagem tem o poder de levantar a nossa auto-estima e muitas vezes nos deixa mais confiantes, principalmente naqueles dias em que, graças à TPM, acordamos com a impressão de que somos as criaturas mais feias do mundo! Já algumas mulheres enfrentam sérios problemas de ordem estética ou pessoal e, para elas, a maquiagem é uma necessidade. Um exemplo disso é a atriz Bárbara Paz, que é linda, mas que sofreu um grave acidente na adolescência que deixou uma cicatriz em seu rosto e pescoço. Ela já contou em entrevistas que isso mexeu muito com sua auto-estima e, para disfarçar, sempre abusou da maquiagem. Assim como ela, muitas mulheres têm problemas com a aceitação da própria aparência, por qualquer que seja o motivo, e esses problemas são amenizados com uma simples maquiagem. Quem somos nós pra dizer que elas estão erradas? Por que temos que obrigá-las a abrir mão desse recurso que lhes faz tão bem?

Por outro lado, existem mulheres que não sentem necessidade alguma de se maquiar e raramente (ou nunca) o fazem. Certa vez trabalhei em uma solenidade na qual a esposa do homenageado tinha zero de maquiagem no rosto, mas nem por isso sua beleza deixou de aparecer. Muitas pessoas ali presentes a elogiaram e admiraram a sua coragem de ter comparecido de cara limpa a um evento tão formal e ainda assim estar bonita. Dá pra julgar esse tipo de escolha? Claro que não, ela é absolutamente pessoal!

Eu, particularmente, sou muito vaidosa e adoro uma maquiagem, mas procuro me policiar porque nada em excesso faz bem. Meu trabalho exige que eu esteja maquiada quase que diariamente e isso pra mim não é nenhum sacrifício, mas também tento internalizar a ideia de que eu não posso me apegar à minha imagem maquiada – tenho que gostar também da minha aparência como ela é, com marcas de espinhas, olheiras e outras imperfeições, caso contrário, o que é uma simples vaidade passa a ser uma obsessão e, num efeito reverso, começa a afetar a minha auto-estima a ponto de eu não me aceitar mais como sou de verdade.

Quando o assunto é estética, acho que a mulher pode lançar mão de tudo que estiver ao seu alcance para se sentir bem com a sua aparência, mas sempre com muito cuidado para não cair na cilada da indústria da beleza e nem virar escrava dos padrões. Talvez esse seja um dos nossos maiores desafios nos dias de hoje: descobrir como exercer nossa vaidade ao nosso modo, pois cada mulher tem um jeito particular de cuidar de si. Precisamos estimular o amor próprio sem pressões nem regras, respeitando o nosso corpo e cuidando da nossa saúde. O que os homens acham, o que a sociedade acha… não importa! O corpo é nosso, vamos assumí-lo da forma que mais gostamos!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *