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Evangelho que liberta do consumismo

Pois onde estiverem as tuas riquezas, lá estará também o seu coração. (Mt 6:21)

Consumir é palavra de ordem nos nosso dias. Às vezes tenho a impressão de que absolutamente tudo só pode ser viabilizado através do ato de consumir – seja um sonho, um projeto, um emprego ou até mesmo um relacionamento.

Parece que não conseguimos pensar ou fazer nada sem que tenhamos que consumir algo. Vivemos um tempo marcado pelo enorme desespero em materializar nossas experiências e relacionamentos, talvez para compensar a cultura da volatilidade que toma conta da nossa sociedade. No entanto, como tudo fica velho e obsoleto de forma muito rápida, entramos num ciclo vicioso de consumir sempre mais e mais. E assim vamos preenchendo as nossas vidas com o consumo, tentando dar significado material ao que somos e ao que fazemos.

Pra ser sincera, acho que nós, enquanto cristãos, temos obrigação de questionar essa cultura de consumo e de não nos deixarmos levar por ela. E o motivo é muito simples: Jesus nunca foi consumista. 

A vida de Jesus nos dá uma aula de simplicidade. Ele não tinha terras, casas, joias ou algum outro bem de valor. Por levar uma vida andarilha, pregando o Evangelho aqui e ali, Ele poderia ao menos andar com uma mala, um dinheiro guardado, alguns sapatos de reserva ou até mesmo um guarda-chuva para os dias de tempo ruim. Mas Ele não tinha nada disso: Jesus nos provou que é possível viver com o mínimo. Se Ele é o nosso maior exemplo de fé, acho que o Seu testemunho de vida tem muito a nos ensinar e, portanto, não podemos deixar de refletir sobre isso.

De quantas coisas a gente realmente precisa pra viver? O consumismo não está somente em adquirir muitas coisas caras, mas em adquirir muitas coisas das quais não se precisa. O que elas acrescentam em nossas vidas?

O consumo em excesso, inevitavelmente, nos leva ao apego às coisas materiais. O perigo de consumir de forma inconsciente é que, depois de um tempo, nós passamos a ser escravos do que temos. Nosso testemunho de vida deixa de falar ao outro e os nossos pertences é que passam a falar por nós. Um closet repleto de vestidos caros não pode definir uma mulher, mas se ela não tiver cuidado, se deixará ser reduzida e definida por ele. Será que meus pertences têm coisas mais interessantes a dizer do que eu mesma?

Cabe ainda uma outra questão de extrema importância: o que eu tenho deixado de fazer pelo próximo por causa dos meus hábitos consumistas? É coerente um cristão utilizar os seus bens para investir em coisas fúteis enquanto ao seu redor estão diversas pessoas com necessidades básicas a serem supridas?

A mensagem dos Evangelho nos ensina, dentre outras coisas, sobre amor, humildade e simplicidade. Não há como servir a Cristo abrindo mão desses aspectos. Quem entende a mensagem do Evangelho entende que em nada temos a nossa vida como preciosa, a menos que possamos espalhar a boa-nova do amor de Deus (At 20:24). Entende também que o valor da vida de alguém não depende da quantidade de bens que possui (Lc 12:15). Entende ainda que tudo que temos aqui na Terra é efêmero e que não há nenhum proveito em ganhar o mundo inteiro e perder a própria alma (Mc 8:34-36). Logo, preocupações com coisas materiais são pura ilusão e vaidade (Ec 6:9). A partir do momento em que a gente entende tudo isso, a gente se liberta do amor ao dinheiro e às riquezas e se liberta também da necessidade vazia de consumir. Jesus valorizou a vida acima de tudo e Deus supre todas as nossas necessidades se buscarmos primeiro o Seu reino e a Sua justiça (Mt 6:25-33).

O consumismo é um desejo insaciável que só atende ao nosso próprio egoísmo e vaidade. O Evangelho nos ensina a transcender, a nos libertar dessa prisão de idolatria a nós mesmos e às coisas. Avaliar o que é realmente necessário em nossas vidas e consumir de forma responsável e consciente é um exercício que faz muito bem não só pra gente como também para o meio ambiente, que tem pagado um alto preço pela nossa voracidade de consumo.

Para finalizar, deixo aqui um questionamento de Jesus narrado em Lucas 12:16-21: Se esta noite pedirem a sua alma, quem ficará com tudo que você juntou?

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