A igreja e a violência contra a mulher
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A mulher deve ser submissa. E o homem?
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Essencial, mas quase invisível

Você já parou para observar quantas mulheres tem na sua igreja? Já observou que tipo de trabalho elas desenvolvem lá dentro? Não se costuma falar sobre isso, mas na maioria das igrejas basta dar uma rápida olhada para perceber duas coisas: 1) as mulheres são maioria e 2) as mulheres desenvolvem a maior parte dos trabalhos, inclusive aqueles que são essenciais para a manutenção do templo enquanto estrutura física. Mas quem ocupa as posições de liderança e autoridade?

A igreja do século XXI é sustentada por mulheres. São elas que limpam, cozinham, administram, organizam eventos, fazem campanha para arrecadação de ofertas, decoram o templo, ensinam nas classes, acolhem os visitantes e muitas outras coisas mais. São elas que idealizam os projetos e são elas que põem a mão na massa. Além de todos os trabalhos do lar, o cuidado com os filhos e a vida profissional, é incrível como elas conseguem arranjar tempo e se comprometer de verdade com a obra do Senhor sem ganhar nem um centavo por isso. A maioria das igrejas não sobrevive por muito tempo se tirarmos sua mão de obra feminina.

Ao contrário da mulher, o homem é mais hesitante em se comprometer com qualquer tipo de trabalho eclesiástico. De um modo geral, as igrejas têm certa dificuldade em recrutar homens para o serviço. Eles geralmente tendem a dar desculpas do tipo “não tenho tempo” ou “trabalho muito” para não assumir compromissos – mesmo que isso não seja verdade. Quando se trata de homens casados, a dificuldade aumenta. Pode observar: mulheres casadas trabalham na igreja ainda que seus maridos não trabalhem. Homens casados quase nunca trabalham na igreja se suas esposas não estiverem engajadas também, o que leva a crer que geralmente é a mulher quem convence ou contagia o marido. Em outras palavras: além de desempenhar a maior parte do trabalho, elas também recrutam a mão de obra masculina.

Mas mesmo sendo o “motor” da igreja, a “peça” que faz com que ela de fato funcione, a mulher ainda é discriminada quando se trata de ocupar cargos de liderança ou de alto reconhecimento. Muitas igrejas ainda insistem em não admitir mulheres pastoras ou mulheres com poder de decisão administrativa e financeira, que tenham autoridade e autonomia para resolver situações que muitas vezes elas já resolvem na prática, mas ficam aguardando a palavra final ou a aprovação de uma autoridade maior – um homem. Nestes meus dezesseis anos de igreja, tenho visto muitos homens ocupando cargos cujas atribuições na verdade são desempenhadas por mulheres – eles são apenas “figurantes de autoridade”. E quando se trata de cargo remunerado, as chances de uma mulher vir a ocupá-lo são ainda menores, mesmo que além da competência para exercê-lo ela também tenha necessidade de uma remuneração.

Antes que alguém diga, não, não queremos ocupar os cargos para obter reconhecimento pelo reconhecimento, pois Jesus nos ensina que não devemos buscar a aprovação dos homens, e sim de Deus; não queremos o dinheiro que alguns desses cargos possam oferecer, pois todos os dias damos provas de que o nosso comprometimento com a obra do Senhor independe disso; também não queremos competir por poder com os homens, não se trata de uma rixa. O que queremos é apenas que as coisas fluam naturalmente para nós, assim como acontece com eles. Se uma mulher tem competência, sabedoria e vocação para ser pastora, por que não? Se ela tem competência para administrar as finanças da igreja e já vem demonstrando isso, por que não dar a ela essa função? Por que submeter seu trabalho à aprovação de um homem que muitas vezes nem entende o que está sendo feito ou que não sabe fazer melhor? Queremos ter as mesmas oportunidades. Quem tiver habilidade, competência, boa vontade e disposição para desempenhar determinada função (seja ela remunerada ou não, de liderança ou não), que a assuma, independentemente de ser homem ou mulher. Deus não faz acepção de pessoas. Por que a Igreja ainda quer fazer isso?

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