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Em 2019, mais fé e menos religião

Se tem uma palavra que define 2018, essa palavra é “religiosidade”. O discurso religioso ganhou mais destaque do que nunca e foi acolhido por muito mais gente do que poderíamos imaginar. Assistimos a um espetáculo de hipocrisia, desrespeito, preconceito e oportunismo manifestado em todas as classes sociais sob a alcunha de “fé”. Perderam o temor e a vergonha de justificar por Deus as coisas que o próprio Deus condenou.

Tá certo que vimos alguns religiosos caírem na cova cavada por eles mesmos – o que pegou muitos de surpresa, mas não surpreendeu quem ouviu os conselhos de Jesus sobre os falsos mestres. Mas ainda temos milhares de religiosos vomitando leis que eles mesmos não seguem e sendo adorados por outros milhares de religiosos que fazem a mesma coisa. Seus atos acertam em cheio vidas inocentes, necessitadas, sofridas, marginalizadas. Seus atos depõem contra a fé e contra Deus, num horripilante show de contrassenso.

Na carta aos Hebreus, aprendemos que “a fé é a certeza das coisas que não se veem” (Hb 11:1) e que “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11:6). Para muitos parece loucura acreditar naquilo que não se vê, mas como Deus fez as coisas loucas para confundir as sábias (1 Co 1:27-29), aqui estamos nós vivendo essa loucura que é a fé e testemunhando as coisas poderosas que ela pode fazer. Tiago concretiza esse conceito ao lembrar que “a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta” (Tg 2:17). Fé de verdade anda junto com ação e pessoas de fé a gente reconhece de longe, só pelo modo de agir.

Já a religião nos ensina os ritos e a doutrina. Digamos que ela é a encarregada da “aparência” da fé. Mas desde os tempos de Jesus as pessoas se acostumaram a abusar da religião sem fé, fazendo uso de rituais vazios, ensinando e exigindo (dos outros) o cumprimento de dogmas que elas mesmas não cumprem. O Novo Testamento está cheio de repreensões de Jesus a essa religiosidade vazia (ex.: Mt 23, Mc 7:1-23, Mc 12:38-40, Lc 11:37-52).

Quando compreendemos a diferença entre religião e fé, conseguimos perceber muito claramente as ações regidas por uma e por outra. A fé acolhe, independente de cor, sexo, gênero, idade, etnia e nacionalidade; a religião aponta. A fé exerce a empatia, mesmo quando não concorda com os atos do outro; a religião julga e condena. A fé pensa nos outros; a religião pensa em si e em como seus atos são vistos pelos demais. A fé fortalece e faz crescer; a religião causa medo e gera vigilância.

2018 foi um ano em que muitas máscaras caíram e pudemos ver a verdadeira face de uma igreja que diz seguir a Deus, mas na verdade só quer ser Deus. Também pudemos assistir a vitória do ódio e o desprezo pelo ser humano. Encerramos o ano com a sensação de cansaço e descrença, mas temos que lembrar do que disse Paulo na carta aos Coríntios: “quando estou fraco, aí é que sou forte” (2 Co 12:10). A nossa força para encarar as adversidades vem do Senhor.

Não percamos a esperança e que em 2019 possamos ver mais frutos de fé do que frutos de religião. Vamos aguardar que os religiosos mostrem sua fé sem obras e nós, pelas obras, vamos mostrando a nossa fé, resistindo e perseverando no Evangelho que temos aprendido.

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