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Uma mulher solteira e virgem apareceu grávida. Foi um escândalo. O pai da criança não era o homem a quem ela estava prometida em casamento. Ele não quis aceitar de início, pois seria uma vergonha perante todos aceitar sua noiva grávida de outro, mas acabou casando e adotando a criança.

Essa família “estranha” é a família de Jesus. Uma mãe que engravidou virgem e um pai adotivo deram a ele tudo que uma criança precisa pra crescer bem: amor, afeto, amparo, estrutura material e emocional. Funcionou? Claro! Fizeram bem seu papel, mesmo não sendo uma “família tradicional”.

Já a família tradicional, formada por Adão, Eva, Caim e Abel, foi a responsável por trazer o pecado para o mundo e acabou em assassinato. Tudo é relativo, não?

Mesmo com esses exemplos, hoje a igreja trava uma batalha para definir o que é e o que não é família. Logo ela, que se intitula como uma grande família imperfeita, quer determinar que o formato familiar correto contém pai, mãe e filhos. Mas esquece que nem sempre o correto é o que funciona na prática e a própria Bíblia traz exemplos disso. Quantas famílias você conhece que têm o formato “tradicional” mas são totalmente disfuncionais? E quantas famílias “não tradicionais” conseguem criar seus filhos de forma louvável, mesmo em meio a dificuldades? Quantas avós, mães solteiras (ou até pais), irmãos mais velhos e tias você conhece que deram um lar e muito amor a seus filhos, fossem eles biológicos ou não? Quantas crianças abandonadas foram acolhidas por casais homossexuais ou por pessoas solteiras e encontraram nelas o suporte que precisavam para se tornar adultos felizes e saudáveis? E quantos casais sem filhos vivem o verdadeiro significado de família, com amor, apoio e respeito mútuo?

Como podemos negar o amor e os laços que unem essas formações “alternativas” de família? Como negar que são, de fato, uma família? Seria fechar os olhos para uma realidade que hoje é predominante em nosso país (confira aqui os dados do IBGE). Seria desconsiderar a importância de pessoas que fazem a diferença na vida de outras pessoas, oferecendo a elas tudo que um pai e uma mãe oferecem a seus filhos. Precisamos perder essa mania de querer colocar regra em tudo, ignorando que na prática nem tudo funciona como deveria ser!

Esse texto não é um incentivo a divórcios, abandonos e produções independentes. Pela fé nós cremos na formação familiar criada por Deus e sabemos que, por motivos biológicos, filhos não nascem sem um pai e uma mãe. Mas isso não pode nos tornar ignorantes e cegos a ponto de não vermos a realidade diante dos nossos olhos, que muitas vezes foge do ideal. Temos que começar a aplicar no nosso dia a dia o respeito às diferenças, quebrar esse legalismo e colocar o amor como parâmetro de tudo. Não importa se são dois pais, duas mães, os avós, uma madrasta…. se tiverem exercendo o papel de família, como Deus estabeleceu, é tudo família! E graças a Deus por termos alternativas para quando o ideal não funciona!

1 Comentário

  1. Eliane Mendes disse:

    Amei, amei, amei.
    Ontem foi o chá de bebê do meu neto e falei sobre o Não Temas, que o ano falou a Maria e ressaltei que ela era uma mãe solteira com uma gravidez não planejada e foi acolhida por Deus!!!
    Menina, coninue assim a igreja está precisando de reflexões desse tipo.

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