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Você já parou pra pensar que se Jesus voltasse hoje Ele teria grande chance de ser crucificado de novo? Quando eu falo crucificado, claro, quero dizer no sentido mais moderno da palavra. Ele não seria pendurado na cruz, mas certamente seria linchado em redes sociais, cuspido nas ruas, acusado de subversão… Talvez armassem uma conspiração para que Ele fosse preso e, muito provavelmente, Jesus apareceria morto na cadeia ou sofreria um atentado (talvez um “acidente” de avião, né?).

Observando o nosso atual cenário social e político, recheado de intolerância, conservadorismo, falso moralismo, corrupção e hipocrisia, é óbvio que um cara como Jesus não seria bem aceito em nosso meio. Um homem que defende as minorias, desafia a religiosidade e o poder político, denuncia os falsos líderes, prega libertação, desapego e promove uma verdadeira revolução de crenças e costumes nunca foi bem visto na história. Quem desafia o status quo está fadado a ser estigmatizado, perseguido e até mesmo morto. Jesus enfrentou tudo isso há dois mil anos, mas hoje a história se repetiria.

Se Jesus voltasse hoje, quem acreditaria que Ele é o Filho de Deus? Quantos o chamariam de louco, de vândalo, de delinquente, de imoral? Afinal de contas, Ele se relacionava com mulheres samaritanas, prostitutas, cobradores de impostos, leprosos, doentes… só a “escória” da humanidade. Jesus frequentava festas, comia, bebia e não cumpria as duras leis religiosas de sua época, escandalizando os moralistas de plantão. Ele não ligava para convenções sociais nem para os costumes, para Ele importava mais fazer a vontade do Pai. Era Rei, mas não se portava com a arrogância e com a prepotência dos reis, não se preocupou em convencer ninguém disso e nem usou seu poder para fugir das perseguições. Que Rei era esse? 

Fale a verdade: você acreditaria em Jesus se Ele voltasse hoje? Há alguns anos parei para pensar nisso e tremi na base só de pensar que havia, sim, a possibilidade de eu não acreditar. Muita gente boa não acreditou há dois mil anos. Será que eu seria uma delas nos dias de hoje, quando valorizamos o racionalismo e temos tanta informação para contestar? Será que o rigor científico e acadêmico aceitaria Jesus como o filho de Deus? Será que as autoridades políticas reconheceriam sua autoridade maior? Será que os religiosos atestariam sua santidade?

Com tudo que temos visto hoje, acho que não… é vergonhoso reconhecer, mas acho que nós mataríamos Jesus de novo. Não aprendemos nada com a Sua primeira vinda e os fatos provam isso. Continuamos insensatos, egoístas, fariseus, cuspindo regras que nem nós mesmos conseguimos cumprir. Continuamos duros de coração, perseguindo os fracos e as minorias, alimentando nossa vaidade e nossa sede de poder. É fácil olhar pra trás hoje e reconhecer Jesus na história, depois de tantos anos, tantos estudos que comprovam, tanta teologia que analisa, tantas igrejas que O proclamam e caracterizam. Difícil seria reconhecê-Lo numa segunda vinda, acreditar na sua Palavra, seguí-Lo e aceitar ser perseguido ou até mesmo morto por causa dEle.

Vivemos esse paradoxo: apesar de ansiarmos tanto pela volta de Jesus, definitivamente não estamos prontos para recebê-Lo de novo porque nos falta a prática do Evangelho, que vai muito além de uma mensagem bonita para confortar o coração. Quando vamos começar a praticar a nossa fé? Quando vamos fazer com que a letra saia do livro e se concretize em nosso agir?

“Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o dono da casa; se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã; para que, vindo de repente, não vos ache dormindo.” (Mc 13:35-36)

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