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Quando eu era criança, sempre que fazia alguma coisa errada com alguém, minha mãe me perguntava: “você ia gostar se fizessem isso com você?”. Com essa simples pergunta ela me ensinou desde muito cedo a importância de dar ao outro o que eu quero receber, o que pra mim se tornou uma lição básica de boa convivência – algo tão essencial e fácil de compreender quanto 2+2.

Anos mais tarde, descobri que esse ensinamento, que eu achava que era da minha mãe, na verdade é bíblico e está lá em Mateus 7:12: “Façam aos outros aquilo que vocês querem que eles façam a vocês”. E apesar de acreditar que este era uma espécie de dogma incontestável entre as pessoas, foi na vida adulta que percebi o quanto essa regrinha básica é ignorada. Como pode algo tão básico ser tão incompreendido e não praticado?

Talvez nunca tenha se falado tanto em respeito, luta por direitos e dignidade. Acho que a história nunca viu um momento em que tantas minorias juntas reivindicaram seu espaço – e isso é ótimo! Mas ao mesmo tempo vivemos uma fase em que a intolerância e a falta de empatia reinam impunemente. Parece que quanto mais uma parcela da população se torna esclarecida e tolerante, mais a outra se emburrece e se embrutece, ultrapassando os limites da falta de bom senso.

Em tempos de crise e de total esfacelamento da estrutura política em nosso país, as pessoas estão desacreditadas, pessimistas e muitas sentem-se enganadas por aqueles em quem tanto acreditaram. Isso tem gerado uma onda de conservadorismo assustadora, pois de repente o passado ganhou um brilho que não tinha e agora muitos parecem enxergar o retrocesso como a única solução. A decepção com alguns partidos se transformou em uma verdadeira ojeriza a tudo que é da esquerda e fez com que a direita se tornasse uma espécie de santa injustiçada. Então vêm aqueles argumentos em prol da volta da ditadura militar, a crença de que os partidos de direita não eram tão ruins e, dentro desse combo, vem a tentativa esperta de querer tirar os direitos já adquiridos pelas minorias – afinal, se foi conquista da esquerda, não presta.

Não quero aqui defender bandeira política, mas percebo muita ingenuidade misturada com conveniência nas pessoas que adotaram esse tipo de discurso. Uma coisa é decepcionar-se com aquele partido que você confiava, com os políticos que se diziam contra a estrutura de corrupção mas não se mostraram tão honestos… muitos de nós estamos tendo que lidar com esse fato. Mas outra coisa bem diferente é querer desqualificar e anular um trabalho de conscientização feito durante a gestão desses políticos, bem como a conquista de muitos direitos (que, diga-se de passagem, foram fruto de uma trajetória de lutas, não foram dados de graça por A ou B). E é aí que entra o ensinamento de Mateus 7:12 que falei lá no começo e a nossa responsabilidade enquanto cristãos.

É, no mínimo, incoerente um cristão se colocar contrário à conquista de direitos. Entendo que opiniões racistas, misóginas, homofóbicas, ideias preconceituosas sobre os pobres, índios, imigrantes (só pra exemplificar) saindo da boca de pessoas que se dizem servas do Senhor e conhecedoras da Palavra são um péssimo testemunho. Já ouvi crentes falarem coisas tão assustadoras que fico me perguntando que Evangelho é esse que eles conhecem. Ideias que disseminam o ódio, o preconceito, a desvalorização da vida e que não encontram respaldo nem nas palavras nem no testemunho de Jesus são proferidas aos montes, como se fossem dogmas cristãos, aprisionando, oprimindo e assustando muitos. Como é possível que cristãos não entendam o que diz Mateus 7:12?

Acredito que o princípio básico trazido nesse versículo é o suficiente para qualquer pessoa conseguir conviver bem em sociedade e respeitar o outro, mesmo que não entenda nada de Bíblia e que não saiba nada sobre o que Jesus ensinou. Basta pensar: e se fosse comigo? Eu iria gostar? Se Mateus 7:12 pode ser aplicado por leigos e pessoas descrentes, o que dizer de nós, crentes? É claro que nós temos obrigação de colocá-lo em prática! Se não, de que adianta tanto culto, tanta oração, tanto estudo bíblico? De que adiantam os louvores, as súplicas, o dízimo, se o básico a gente não consegue aprender? Misericórdia quero, e não holocaustos (Mt 9:13). Foi isso que Jesus pediu. Em termos atuais, Ele não estava pedindo nada mais do que empatia com o outro, algo que está muito em falta nesse mundo – inclusive entre os cristãos. Vamos, portanto, praticar esse exercício: “Façam aos outros aquilo que vocês querem que eles façam a vocês”. Esse ato simples e aparentemente pequeno tem um enorme poder transformador.

 

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