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Analisando de uma forma bem ampla, acredito que a luta pelos direitos das mulheres esteja muito mais avançada fora da igreja do que dentro dela, o que pra mim é um contrassenso inadmissível. Não que o mundo secular esteja receptivo às nossas reivindicações, não é isso. Mas é que lá, com muita dificuldade e a passos lentos, temos conseguido ampliar o debate de gênero e obter alguns avanços, enquanto que nas igrejas temos dificuldade até pra iniciar o debate.

Quando olho pra nossa realidade e me deparo com pregações machistas de submissão, com a resistência em aceitar lideranças femininas e com o discurso ora escancarado, ora sutil de que somos criaturas de segunda classe, percebo o quanto a igreja está parada no tempo e o quanto ela se fecha para as discussões sociais que não lhe interessam. Apesar de não sermos deste mundo, estamos inseridos nele e não podemos nos isolar, portanto, é fundamental que haja um diálogo entre igreja e sociedade, sem perder de vista os nossos princípios cristãos.

O que eu percebo é que a igreja não tem sido um lugar de acolhimento para as mulheres. Depois de uma semana exaustiva, com duplas e triplas jornadas (muitas vezes até mais), salários inferiores, assédios, abusos, violência física, moral, verbal e psicológica, chegamos aos domingos nas igrejas e, ao invés de recebermos consolo através da Palavra de Deus para nossas almas aflitas, recebemos culpas, julgamentos e doutrinações sobre o nosso lugar de inferioridade. Não consigo acreditar que seja este o propósito de Deus para nós e não vejo, na postura de Jesus, nada que ampare ou justifique tais atitudes. O tratamento que Ele dispensou às mulheres foi completamente diferente.

Fico me perguntando como pode o mundo secular, que não tem compromisso algum com Deus, reconhecer muitos dos nossos direitos através das leis, e a igreja do Senhor negar o princípio básico da igualdade, princípio este demonstrado na prática por Jesus e constatado por Pedro em At. 10:34.

Está na hora de começar a cuidar dessa ferida. É hora de rever posturas, de praticar o Evangelho puro e simples, abrindo mão da vaidade e dos privilégios. Não tem como fugir dessa discussão, pois ela está em todos os lugares e nós, mulheres, estamos cada vez mais conscientes do nosso valor. Não há como retroceder e, se a igreja não acompanhar, estará decretando o seu próprio fim. Cada vez menos mulheres tem aceitado o lugar de subalternidade que lhes é destinado e cada vez mais mulheres têm exigido respeito e dignidade. Isso não é desobediência à Palavra de Deus, ao contrário: é exigir que ela seja cumprida. A Verdade nos liberta e não gera opressão, por isso, se somos conhecedores da Verdade, temos que dar exemplo.

1 Comentário

  1. Leilane. disse:

    Excelente Isabela. Também tenho pensando muito neste descompasso. Algo que muito me incomoda! Sim, as mulheres estão cada vez mais consciente do seu valor, não devem mesmo admitir nenhum discurso de inferioridade e injustiça. Avante! Não nos calemos!

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