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Todo mundo comentando o caso Daniela Araújo e muita gente condenando a cantora por sua suposta hipocrisia. Esse é mais um daqueles episódios polêmicos da grande mídia, no qual os sites de fofoca fazem a festa, capitalizando e tripudiando em cima da vida privada de alguém. Até aí nada de diferente.

No entanto, em meio a esse turbilhão de fofocas, especulações, julgamentos e críticas, uma coisa me surpreendeu positivamente: o fato de várias pessoas terem saído em defesa da cantora. Não são maioria, obviamente, mas é bom saber que muitos já estão percebendo que, por trás de fatos como esse, existe uma atitude covarde, mesquinha e vingativa; que um homem que expõe a intimidade de sua ex-namorada comete nada menos que violência contra ela; que, por trás de um discurso moralista, está um cara que acha que a mulher é propriedade sua e que ele não só pode como deve decidir o que ela tem que fazer e falar; enfim, muitos perceberam que o problema maior não é a maconha que ela (supostamente) usa, mas a atitude baixa do um ex-namorado enfurecido que se sentiu no direito de “desmascará-la”, como se ele próprio fosse um exemplo de pessoa. Ao ver tantas manifestações de solidariedade a ela nas redes sociais, inclusive partindo de homens, senti um misto de alívio e esperança: finalmente as pessoas estão abrindo os olhos pra esse tipo de armadilha. A humanidade não está perdida.

Em outra época, certamente Daniela Araújo seria condenada em praça pública por unanimidade e provavelmente sua carreira acabaria aí. Em outra época, seu ex-namorado Victor Romanini seria aplaudido e canonizado como alguém que fez um grande bem pra humanidade gospel. Mas felizmente as coisas têm mudado – lentamente, mas têm mudado. Felizmente não estamos mais engolindo certas atitudes e temos nos posicionado de maneira firme. Se o cara achava que a coisa ia ficar feia pra ela, se enganou. Ficou muito mais feia pra ele. De todos os comentários que vi sobre o assunto, o melhor foi o do Pr. Caio Fábio, que fez um apelo que também é de todas nós: “seja homem!”. É isso que nós queremos: que os homens se comportem como homens, e não como meninos mimados, como crianças vingativas, como patrões autoritários, como seres superiores. Apenas que se comportem como homens de verdade, com toda dignidade de um.

Muita coisa já foi dita sobre o caso e eu não preciso falar aqui do quanto somos hipócritas ao apontar e julgar o pecado do outro enquanto esquecemos os nossos, pois Jesus já falou disso em Lc 6:41-42. Também não preciso falar do quão perverso o show business gospel tem sido com os artistas e nem do entorpecimento da igreja diante deles, pois o pastor Hermes Fernandes já falou brilhantemente disso aqui. Mas acho importante lembrar que artistas cristãos não devem ser adorados e nem servir de exemplo de perfeição para as pessoas, pois são tão pecadores quanto qualquer um de nós (isso também vale para pastores, escritores e outros líderes). Também vale ressaltar que os falsos moralistas costumam rechaçar veementemente a maconha enquanto toleram outros vícios tão ou mais prejudiciais, como o álcool, o cigarro e a promiscuidade, além de tolerar também comportamentos execráveis dentro da igreja, como a violência contra a mulher e o racismo. Logo, não têm moral pra julgar coisa alguma.

O caso Daniela Araújo ainda pode render por um tempo, até que surja o próximo escândalo. Mas pelo menos serviu pra nos mostrar que a mentalidade das pessoas está mudando e que há um processo de conscientização em curso. Aos machistas de plantão, fica o alerta: nada será como antes. Graças a Deus!

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