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As imoralidade sexuais e a pureza no casamento

A Bíblia contém diversas passagens que condenam a imoralidade sexual, como por exemplo: 1 Co 6:18 (Fujam da imoralidade sexual. Nenhum outro pecado atinge o corpo como este.); 1 Ts 4:3-5 (…abstenham-se da imoralidade sexual. Cada um saiba controlar o seu próprio corpo de maneira santa e honrosa…) e Rm 13:13 (Comportemo-nos com decência, como quem age à luz do dia, não em orgias e bebedeiras, não em imoralidade sexual e depravação, não em desavença e inveja.). Em Hb 13:14, ela fala sobre a pureza na relação conjugal (O casamento deve ser honrado por todos; o leito conjugal, conservado puro; pois Deus julgará os imorais e os adúlteros.).

Esses versículos são muito utilizados para condenar a relação sexual antes do casamento, pois a interpretação dominante no meio cristão faz uma associação entre todas essas coisas (sexo antes do casamento, imoralidade sexual e impureza). Mas, na prática, uma pessoa que vive um relacionamento sério e comprometido com alguém não se torna um imoral sexual só porque tem relações com o seu companheiro(a). Do mesmo jeito, a pureza não é garantida somente com o casamento entre pessoas virgens, já que existem muitas formas de macular o leito conjugal. Que fique bem claro: não estou incentivando nada, apenas mostrando que o sentido dessas passagens é tensionado pelos intérpretes de modo a servir para condenar o sexo pré-matrimonial em qualquer circunstância, inclusive no namoro. No entanto, como já foi explicado no texto anterior, a Bíblia não fala sobre namoro especificamente e o contexto machista e patriarcal em que ela foi escrita nos diz muito sobre algumas de suas orientações.

Não há dúvidas de que a Bíblia condena a imoralidade sexual, que naquele contexto estava muito ligada à prostituição e ao sexo casual, sem compromisso. Vale lembrar que era um momento em que existiam muitas prostitutas cultuais, que ficavam nos templos pagãos oferendo seus corpos a quem quisesse e mantendo relações sexuais como forma de cultuar os deuses. Dessas orgias participavam homens solteiros, casados, viúvos e qualquer pessoa que tivesse interesse, usando as mulheres ali disponíveis como objetos de prazer. Ressalta-se ainda que o paganismo é bastante combatido nos livros da Bíblia, principalmente no Novo Testamento, quando se tentava reeducar as pessoas numa nova perspectiva religiosa (o cristianismo). Logo, é compreensível que houvesse tanta condenação à imoralidade sexual, visto que essa era uma prática muito comum até como forma de “religião”.

É claro que nos dias de hoje a orientação de fugir da imoralidade sexual continua válida, visto que surgiram outras formas de cometê-la. Sabemos que o nosso corpo é templo do Espírito Santo e temos que zelar por ele, como também sabemos da importância de mantê-lo são para um casamento saudável. Mas acredito que classificar como imoralidade sexual a relação monogâmica e comprometida entre um casal que se ama e se respeita só porque eles não são casados é forçar um pouco a barra. Muitos podem até não achar correto, mas daí a classificar como imoralidade sexual soa como exagerado e fazer tal associação acaba sendo uma forma de vigiar, reprimir e controlar os corpos.

Quanto à pureza do leito conjugal, há uma supervalorização da virgindade em relação a isso, como se fosse a única forma de garantir um casamento puro. Mas é sempre bom lembrar que adulterar, não corresponder sexualmente ao cônjuge, buscar somente a própria satisfação, usar de violência física ou forçar o outro a ter relação quando ele não quer também são formas de macular o leito conjugal, só para ficar no campo do sexo. Se formos mais abrangentes, podemos considerar que mentir, não respeitar ou não valorizar o outro, agredir verbalmente, tirar sua autoridade perante os filhos, ignorar sua opinião e mais um milhão de coisas negativas também maculam o leito conjugal, visto que todas as frustrações geradas por esses atos acabam, inevitavelmente, afetando a vida sexual do casal. Logo, porque será que perdem tanto tempo somente com a questão da virgindade?

 

 

 

(ATENÇÃO: Esse texto é apenas uma parte da série Virgindade e sexo antes do casamento e não deve ser lido isoladamente. Para uma compreensão completa, é necessário ler introduçãoparte 1parte 3 e parte 4.)

1 Comentário

  1. Lizandra Gonçalves disse:

    Muito bom! Queria ter lido isso a tempos atrás.

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